Administrador financeiro da PT Portugal demite-se

Em menos de um mês, o comité executivo da PT Portugal foi sacudido por duas demissões: depois de Luís Nascimento, Guy Pacheco corta laços com a empresa.

Em menos de um mês, dois quadros de PT deixaram a equipa de gestão liderada por Paulo Neves
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Em menos de um mês, dois quadros de PT deixaram a equipa de gestão liderada por Paulo Neves Rui Gaudencio

Há mais uma baixa de peso na equipa de gestão da PT Portugal. O actual administrador financeiro da empresa, Guy Pacheco, pediu a demissão no início da semana, confirmou o PÚBLICO junto de fonte próxima do processo.

As "divergências com o actual projecto empresarial definido para a PT Portugal", levaram Guy Pacheco a seguir as pisadas de Luís Nascimento, o administrador executivo com o pelouro do segmento de consumo, cuja saída foi noticiada no final de Março.

Pelo que o PÚBLICO apurou, também no caso de Luís Nascimento (que estava na PT desde 2007) foram os desacordos com as actuais orientações da operadora controlada pela Altice que ditaram a ruptura.

A PT, que no caso de Luís Nascimento afirmou que este administrador deixava o cargo por "razões pessoais" e que a saída era por "mútuo acordo", optou por não fazer comentários à saída de Guy Pacheco.

O comité executivo da Altice é encabeçado por Paulo Neves e conta ainda com João Zúquete da Silva, Alexandre Filipe da Fonseca, João Sousa, Alexander Freese e Sónia Machado, além de João Epifânio, outro quadro da PT que veio ocupar o lugar deixado vago por Luís Nascimento.

Segundo a Lusa, que avançou a notícia da saída de Guy Pacheco, este administrador estava na PT há 16 anos, tendo entrado na PT Multimédia (que viria a dar origem à Zon, que se fundiu com a Optimus e deu origem à Nos) quando esta era liderada por Abílio Ançã Henriques. Guy Pacheco foi director de planeamento e controlo, entre 2011 e 2015, tendo anteriormente sido director de melhoria contínua e transformação na PT Comunicações e na PT Portugal (2007-2011).

O administrador deixa o cargo num momento particularmente agitado, em que a empresa tem cerca de 300 trabalhadores sem funções atribuídas um pouco por todo o país (cerca de 80 no primeiro piso do prédio da Rua Andrade Corvo, em Lisboa) e em que circulam rumores de que a gestão pondera propor rescisões a cerca de um milhar de pessoas.

O ambiente vivido na operadora é cada vez mais tenso e levou mesmo o Sindicato dos Trabalhadores da Portugal Telecom (STPT) a desenvolver um inquérito interno para avaliar o clima social, tendo entretanto concluído que as situações relatadas "evidenciam a existência de um clima psicossocial, que a persistir acabará por afetar a saúde mental e física dos trabalhadores".