DGS pondera antecipar vacina do sarampo para antes dos 12 meses

Director-geral de Saúde confirma epidemia de sarampo sem grande propagação futura. Existem 15 casos confirmados e 11 em investigação. Francisco George questiona direito dos pais a não vacinar os filhos.

Francisco George exorta todos os pais "a iniciarem um programa de vacinação que é gratuito para ricos e para pobres."
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Francisco George exorta todos os pais "a iniciarem um programa de vacinação que é gratuito para ricos e para pobres." Nuno Ferreira Santos

O director-geral de Saúde, Francisco George, disse numa entrevista à Antena 1 que existem 23 casos de sarampo, 11 dos quais confirmados pelo Instituto Ricardo Jorge e 12 em investigação, e que se está perante uma actividade epidémica, sinónimo de surto ou de epidemia. Seis casos são de crianças internadas na região de Lisboa, no Hospital Dona Estefânia.

Já ao final da tarde, o responsável actualizou os dados: 26 casos (15 confirmados e 11 em investigação). Numa declaração aos jornalistas, Francisco George questionou ainda os “direitos e deveres” dos pais que não fazem vacinação dos filhos pois “essa decisão não põe em risco apenas as próprias crianças”, tem “um reflexo na comunidade”.

Francisco George também disse que está a ser estudada a hipótese de baixar a idade da primeira vacina do sarampo para antes dos 12 meses. Actualmente, a vacina do sarampo é administrada em duas doses: uma aos 12 meses e uma segunda aos cinco anos.

Esta é uma epidemia que no entanto “não vai ter grande propagação” na população em geral, já que a grande maioria as pessoas com mais de 40 anos teve a doença em criança e as pessoas com menos de 40 anos foram vacinadas, afirmou na entrevista à Antena 1. Os novos casos começaram a ser diagnosticados em Janeiro e foram-no com maior frequência nas últimas semanas, disse.

“Não esperávamos estas situações. Estamos perante uma epidemia”, confirmou Francisco George. “Mas também é preciso saber que essa epidemia não vai ter grande propagação na população em geral porque a grande maioria está vacinada ou adquiriu a infecção em criança. Estamos certos de que não vamos ter grandes problemas porque 97, 98 ou 99% da população está protegida com anticorpos contra o sarampo."

“Temos situações graves. O sarampo é uma doença que pode evoluir de forma benigna e também no mau sentido. Estamos perante uma situação preocupante", diz, relativamente ao caso da adolescente transferida neste domingo para Lisboa. Neste caso, diz, "não sabemos o que poderá acontecer". A adolescente foi transferida do Hospital de Cascais (onde contraiu o vírus de uma bebé de 13 meses que não foi vacinada) para o Hospital Dona Estefânia, em Lisboa, e está nesta segunda-feira em isolamento na Unidade dos Cuidados Intensivos.

No caso dos funcionários do hospital que adquiriram o vírus no Hospital de Cascais, através da mesma bebé, tinham sido vacinados em crianças. "A evolução da doença é [nestes casos] mais ligeira e evolui de forma menos intensa e mais rápida", explicou, reiterando a importância da vacinação

"O sarampo é uma doença muito contagiosa, transmite-se à distância através de gotículas, de espirros" e pode evoluir para uma situação de "febre muito alta, com prostração, manchas na pele, catarro ocular ou nasal" e que pode resultar em "doença respiratória que por sua vez pode evoluir para uma pneumonia grave", explica Francisco George.

O responsável disse, repetidamente durante a entrevista à rádio, que "não há justificação alguma para um pai ou uma mãe decidir da não vacinação de uma criança", tratando-se da questão de "protecção dos filhos" e por isso ser "absolutamente incompreensível".

E concluiu: "Eu diria que em termos de boas práticas todos os pais devem atender aos conselhos dos médicos, aos conselhos emanados da Direcção-Geral de Saúde e iniciarem um programa de vacinação que é gratuito para ricos e para pobres."

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