Torne-se perito

Há mais seis casos de sarampo em Portugal

Bebé de 13 meses que não estava vacinada contaminou adolescente e quatro adultos no Hospital de Cascais. Ninguém corre perigo, informou directora clínica

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A vacina das crianças tem que ser feita até aos 12 meses e novamente aos cinco anos Marco Duarte

O Hospital de Cascais, do grupo Lusíadas, detectou mais seis casos de sarampo. A origem do contágio foi um bebé de 13 meses, que não estava vacinada, e que terá transmitido o vírus a uma adolescente e a quatro adultos, dois deles médicos, esclareceu ao PÚBLICO a directora clínica do hospital, Eduarda Reis.

Os resultados das análises feitos no Instituto Ricardo Jorge chegaram este fim-de-semana. Ninguém está em risco, afirmou ainda a médica. E, à excepção da adolescente que está internada por outras razões, os outro cinco doentes estão em casa. Como prevenção, o hospital fez este sábado imunizações aos contactos de risco mais próximos.

Segundo disse ao Expresso Teresa Fernandes, da Direcção de Serviços de Prevenção da Doença e Promoção da Saúde, até quarta-feira tinham sido confirmados dez casos de sarampo na região de Lisboa e Algarve. 

O vírus do sarampo é altamente contagioso, de transmissão aérea, e o período de incubação pode ir de dez a 15 dias, explicou Eduarda Reis. É uma doença que tem mais riscos para adultos e cujas consequências mais temidas são a encefalite, acrescentou. “Se as pessoas estiverem vacinadas, normalmente a doença manifesta-se de forma ligeira”.

As crianças devem vacinar-se aos 12 meses e depois aos cinco anos. O reaparecimento desta doença que estava praticamente erradicada desde 1994 em Portugal estará ligado às chamadas bolsas de crianças que não são vacinadas por opção dos pais. “Muitas vezes as pessoas optam por não vacinar os filhos e não sabem exactamente o que estão a fazer”, afirmou Eduarda Reis que defende uma campanha de vacinação mais agressiva.

Quando se confirmaram seis casos de sarampo em início de Abril, o director-geral da Saúde, Francisco George, disse que a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que havia mais de 500 casos de sarampo reportados só este ano na Europa, afectando pelo menos sete países.