Morreu mulher que tinha sobrevivido aos crimes de Aguiar da Beira

Liliane Pinto, de 26 anos, estava internada há mais de seis meses após ter sido alegadamente baleada por Pedro Dias.

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O suspeito dos crimes de Aguiar da Beira, Pedro Dias, a chegar ao tribunal, a 10 de Novembro Sergio Azenha

A mulher que tinha sobrevivido aos crimes de Aguiar da Beira, Liliane Pinto, de 26 anos, morreu nesta quarta-feira no hospital de Viseu. A jovem, que ficou em estado grave depois de ter sido alegadamente baleada na cabeça por Pedro Dias — que já foi acusado pelos crimes — estava internada há mais de seis meses. 

No início do ano tinha sido transferida para a Unidade de Cuidados Paliativos do Hospital de Seia, mas, depois de o seu estado se ter agudizado na manhã desta quarta-feira, foi transportada para o hospital de Viseu, onde acabou por morrer, confirmou ao PÚBLICO uma fonte do Centro Hospitalar da Guarda, a que pertence a unidade de Seia.

O coordenador da PJ da Guarda, José Monteiro, que liderou a investigação neste caso, também confirmou a morte de Liliane Pinto, que estava internada desde 11 de Outubro, dia em que foi baleada em Aguiar da Beira. Trata-se da viúva do automobilista que o arguido terá morto quando o casal se dirigia para uma consulta de fertilidade. Pedro Dias mandou parar o carro em que seguiam.

No final de Março, o Ministério Público deduziu acusação contra Pedro Dias pela prática de dois crimes de homicídio qualificado sob a forma consumada, dois crimes de homicídio qualificado sob a forma tentada e três crimes de sequestro. Nesta acusação, estão em causa os homicídios de um militar da GNR e de um cidadão residente em Trancoso, e as tentativas de homicídio de um outro militar da GNR e de uma mulher também de Trancoso, sendo que estas duas vítimas e uma outra pessoa de Arouca foram ainda sujeitas a sequestro.

Mas, quanto a Liliane Pinto, e tendo em conta que ainda se encontrava hospitalizada, o Ministério Público preferiu então autonomizar o processo. O suspeito dos crimes de Aguiar da Beira poderá agora vir a ser julgado num processo separado relativo ao homícidio da jovem, mas ainda é possível que o Ministério Público requeira que todos os crimes, incluindo este, sejam julgados no mesmo processo.

Apesar de a acusação já ter sido deduzida, está a decorrer a fase de instrução do processo, período durante o qual o Ministério Público pode requerer ao juiz uma alteração substancial dos factos, incluindo mais esta morte no rol dos crimes da acusação.

Notícia corrigida às 10h40 desta quinta-feira. O PÚBLICO tinha informado, por lapso, que a vítima era a única que tinha sobrevivido aos crimes de Aguiar da Beira.