Montepio termina 2016 com prejuízo de 86,5 milhões

Melhoria da actividade comercial permitiu reduzir as perdas em 156,9 milhões de euros face ao prejuízo de 243,4 milhões de euros registado no exercício anterior.

Félix Morgado é o presidente executivo do banco Montepio.
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Félix Morgado é o presidente executivo do banco Montepio. daniel rocha

Em comunicado ao mercado, a Caixa Económica Montepio Geral apresentou um resultado negativo que traduz uma melhoria em várias áreas da actividade bancária, nomeadamente através de uma diminuição do custo com os depósitos dos clientes (cujo volume até aumentou), ao mesmo tempo que aumentaram as comissões cobradas aos clientes e diminuíram os custos operacionais.

Assim, por rubricas, a margem financeira cresceu 29,2% na totalidade de 2016 para os 253,2 milhões de euros, que o banco enquadra com o "contexto de taxas de juro historicamente baixas" e com os menores custos de dívida emitida e com a descida dos juros dos depósitos. Este crescimento anual sofreu um abrandamento no quarto trimestre, tendo a margem financeira tido um crescimento de apenas 12,45% para os 74,9 milhões de euros. 

Já no produto bancário, as comissões líquidas cresceram ligeiramente para os 101,5 milhões de euros, o que - em conjunto com a margem financeira - permitiu ao Montepio apresentar uma melhoria do produto bancário comercial em 12,3%, segundo os dados divulgados esta quarta-feira. 

No entanto, os resultados da Caixa Económica continuam negativos pelo efeito penalizador dos resultados de operações financeiras, que caíram de 102,7 milhões de euros em 2015 para 37 milhões no fecho do ano passado, um efeito da redução acentuada dos proveitos obtidos com a venda de títulos de dívida pública portuguesa. 

Noutras áreas, os custos operacionais recuaram 10,4% para 295,1 milhões de euros. Em comunicado, o banco explica que "a melhoria dos níveis de eficiência (...) materializou-se em 2016 através do encerramento de 94 balcões em Portugal e da redução de 442 colaboradores (...) efectivadas ao abrigo dos Programas de Reforma Antecipada e Rescisões por Mútuo Acordo, contribuindo para os decréscimos homólogos de 13,5% nos custos com pessoal e 17,9% nos gastos gerais administrativos". 

O resultado do exercício também se explica com o facto de 2016 ter terminado com um volume de imparidades inferior a 2015, nomeadamente uma descida de 241,7 para 182,5 milhões de euros em imparidades de crédito. 

Depósitos sobem, créditos descem

O depósitos dos clientes subiram ligeiramente durante o ano passado para um total de 12.468 milhões de euros, o que o banco descreve como a sua principal fonte de financiamento. No quarto trimestre, os depósitos cresceram 2,3% ou 279,6 milhões. 

No crédito a clientes, o valor bruto recuou 3,7% para um total de 15.041 milhões de euros. Neste segmento, o banco descreve "uma exigente política de gestão do risco na concessão de crédito e de repricing ajustado ao risco", para além de "uma reduzida procura de crédito por parte dos agentes económicos". Por outro lado, sublinha que "o comportamento da carteira de crédito em 2016 continuou a evidenciar o maior nível de amortização do crédito à habitação face às novas operações angariadas, resultando num decréscimo homólogo de 4,7%, bem como a redução no segmento de empresas (-4,8%), influenciado pela diminuição do crédito à construção". 

Em termos de risco de crédito, o Montepio fechou 2016 com uma deterioração da cobertura do crédito em risco por imparidades e garantias reais, passando de 126,5% no final de 2015 para os 119,9% em 31 de Dezembro de 2016. No entanto, o banco sublinha, em comunicado, que "durante o ano de 2016 verificaram-se recorrentes reduções trimestrais do montante do crédito em risco (...), resultando num rácio de 15,2% em 31 de Dezembro 2016, que compara com 15,6% no 1º semestre de 2016". 

Solidez melhora

No final de 2016 - ano em que a Associação Mutualista reforçou o capital da Caixa Económica em 270 milhões de euros -, a solidez do banco registou algumas melhorias, nomeadamente nos rácios de referência para as autoridades europeias e Banco de Portugal. 

“O reforço de fundos próprios em 2,2% verificado em 2016, conjugado com a redução de 1.203 milhões de euros dos activos ponderados pelo risco (-8,6%) (...) reflectiu-se numa melhoria dos rácios de capital”, explicou o banco em comunicado. Desta forma, “face a 2015, os rácios Common Equity Tier 1 (CET1) e Capital Total evoluíram de 8,8% para 10,4% e de 9,7% para 10,9%, respectivamente”.