Cerca de 40 polícias decapitados na República Democrática do Congo

País africano enfrenta uma nova onda de violência meses após a recusa de Joseph Kabila em abandonar o poder.

Restos mortais das vítimas dos combates entre o exército congolês e o Kamuina Nsapu na província de Kasai-Central.
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Restos mortais das vítimas dos combates entre o exército congolês e o Kamuina Nsapu na província de Kasai-Central. Reuters/STRINGER

Uma milícia rebelde capturou e decapitou cerca de 40 agentes da polícia, na sexta-feira, na província de Kasai, no centro da República Democrática do Congo. A informação foi avançada à Reuters por François Madila Kalamba, líder da assembleia legislativa daquela província congolesa.

Citando testemunhas locais, Kalamba afirma que os rebeldes do Kamuina Nsapu pouparam a vida a seis membros das forças da autoridade que falavam tshiluba, o idioma local. As vítimas foram atacadas quando se deslocavam da cidade de Tshikapa para Kananga, a capital da província de Kasai-Central.

O episódio insere-se numa vaga de violência com contornos étnicos que afecta cinco províncias congolesas desde a crise política de Dezembro, quando o Presidente Joseph Kabila recusou abandonar o poder no final do mandato. Apesar de, nas últimas semanas, centenas de rebeldes se terem entregado às autoridades, um grupo reunido sob o emblema do Kamuina Nsapu tem continuado a combater as forças de Kinshasa. Desconhece-se quem lidera esta milícia.

Mais de 400 pessoas morreram nesta onda de violência nos últimos meses, sendo que as Nações Unidas ainda estão a investigar e identificar o que poderão ser até 17 valas comuns com vítimas das acções do exército congolês e dos rebeldes.

Na semana passada, dois funcionários das Nações Unidas, um de nacionalidade sueca e outro de nacionalidade norte-americana, foram raptados por um grupo não identificado na província de Kasai-Central. O seu paradeiro é desconhecido.