Casa da Arquitectura adia inauguração para Outubro

O primeiro centro português inteiramente dedicado à arquitectura deveria abrir a meio de Junho, mas os atrasos conduziram a uma inauguração pós-autárquicas. Programa de exposições e visitas previsto mantém-se.

A Casa da Aqruitectura, em Matosinhos, fotografada no final de Novembro de 2016
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A Casa da Aqruitectura, em Matosinhos, fotografada no final de Novembro de 2016 Fernando Veludo/NFACTOS

Atrasos no envio de um pedido de visto ao Tribunal de Contas (TC) por parte da Câmara Municipal de Matosinhos, dona da obra, estão a adiar a conclusão dos trabalhos na Casa da Arquitectura, o que faz com que a sua inauguração, prevista para 16 de Junho, tenha sido empurrada para Outubro. “Neste momento já devia estar a ser instalado todo o equipamento de som e de imagem, mas como o investimento nessa fase da obra exige um visto do Tribunal de Contas, estamos à espera”, disse ao PÚBLICO esta sexta-feira o director executivo desta casa que faz parte do projecto de requalificação da Real Vinícola.

O pedido de visto do TC, necessário pelo montante do investimento, quase dois milhões de euros, devia ter sido feito mal o relatório final da adjudicação foi aprovado em reunião de excutivo, a 7 de Fevereiro, mas, inexplicavelmente, ficou por enviar, na gaveta de um funcionário, reconheceu fonte da autarquia.

Nuno Sampaio acredita que a obra estará concluída em Julho e fala até num programa destinado a preparar terreno para a abertura da primeira exposição deste centro de arquitectura, mas afasta a possibilidade de uma inauguração no Verão: “Decidimos abrir em Outubro porque não fazia sentido fazê-lo durante o Verão e antes das eleições autárquicas, quando toda a gente está na praia ou a pensar noutra coisa. Há menos espaço mediático, menos atenção.”

A exposição inaugural Poder Arquitectura arrancará na mesma altura, mas antes haverá uma série de visitas de obra a projectos de arquitectos portugueses no estrangeiro que se pode considerar uma “antecâmara” dessa primeira mostra, diz o director da Casa. Isto porque, explica, Poder Arquitectura, comissariada por Jorge Carvalho, Pedro Bandeira e Ricardo Carvalho, vai incidir sobre a relação da arquitectura com oito manifestações distintas do poder, do económico ao legislativo, passando pelo cultural, o mediático ou o colectivo, e “pela forma como a arquitectura ajuda a construir o mundo e a ideia que temos do mundo”. Nada melhor, acrescenta, do que ficar a conhecer algumas intervenções de arquitectos portugueses lá fora.

Este programa, que inclui obras já concluídas e outras em curso, começa logo em Julho, mês em que a Casa da Arquitectura será também um dos 60 pontos de paragem do Open House Porto (dias 1 e 2). João Luís Carrilho da Graça é o primeiro a conduzir a visita ao teatro que fez em Poitiers, França, seguindo-se o atelier Aires Mateus (Faculdade de Arquitectura de Tournai, Bélgica), Gonçalo Byrne (Casa nel Parco, Jesolo,  Itália), Álvaro Siza e Eduardo Souto de Moura (Metro de Nápoles, Itália).

Neste momento, o director executivo da Casa da Arquitectura está no Brasil, onde na próxima quarta-feira vai ser apresentada a Colecção Arquitectura Brasileira, a segunda a criar neste que é o primeiro centro português inteiramente dedicado à disciplina, e que deve estar pronta para ser apresentada no Verão de 2018. E que colecção é esta? É um conjunto que reúne 70 projectos de arquitectos brasileiros desde a década de 1930 à actualidade, uma selecção feita por Fernando Serapião (editor da Monolito) e Guilherme Wisnik (arquitecto e professor universitário). Sampaio explica: “Os curadores estão agora a escolher o que fará parte desta colecção que terá dois projectos de cada um dos chamados consagrados, como Paulo Mendes da Rocha, Oscar Niemeyer e Lina Bo Bardi, muitos deles já falecidos, e arquitectos e ateliers que estão a trabalhar hoje, muito mais novos, como o MDB [um projecto cada].”

Notícia corrigida às 12h30 do dia 3 de Abril: o atraso na obra deve-se ao facto de a Câmara Municipal de Matosinhos não ter enviado, pelo menos até ao dia 24, o pedido de visto ao Tribunal de Contas (TC) necessário para dar seguimento à instalação do equipamento na Casa da Arquitectura e não, como se tinha escrito, pelo TC não ter dado ainda resposta a esse pedido.