Quando a luz da arquitectura portuguesa invade a França

Um teatro em Poitiers, já em funcionamento; um centro de artes em Tours, uma igreja paroquial em Rennes e um hotel em Marselha, todos em construção. São projectos de Carrilho da Graça, Aires Mateus, Álvaro Siza e Souto de Moura, a deixar a assinatura e a luz da arquitectura portuguesa em França.

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Teatro-Auditório de Poitiers, de Carrilho da Graça Fernando Guerra+Sérgio Guerra
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Teatro-Auditório de Poitiers, de Carrilho da Graça Fernando Guerra+Sérgio Guerra
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Teatro-Auditório de Poitiers, de Carrilho da Graça Fernando Guerra+Sérgio Guerra
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Teatro-Auditório de Poitiers, de Carrilho da Graça Fernando Guerra+Sérgio Guerra
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Igreja de Saint-Jacques-de-la-Lande, projecto de Álvaro Siza em construção em Rennes Georges Dussaud
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Igreja de Saint-Jacques-de-la-Lande, projecto de Álvaro Siza em construção em Rennes Georges Dussaud
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Igreja de Saint-Jacques-de-la-Lande, projecto de Álvaro Siza em construção em Rennes Georges Dussaud
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Igreja de Saint-Jacques-de-la-Lande, projecto de Álvaro Siza em construção em Rennes Georges Dussaud
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Centro de Criação Contemporânea, dos irmãos Aires Mateus, em construção em Tours Atelier Aires Mateus
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Centro de Criação Contemporânea, dos irmãos Aires Mateus, em construção em Tours Atelier Aires Mateus
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Centro de Criação Contemporânea, dos irmãos Aires Mateus, em construção em Tours Atelier Aires Mateus
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Centro de Criação Contemporânea, edifício antigo Atelier Aires Mateus
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Interior da sala grande do Centro de Criação Contemporânea de Tours Atelier Aires Mateus

Há um teatro e sala de concertos em pleno funcionamento, desde 2008, na cidade universitária de Poitiers; um centro de arte contemporânea em Tours e uma igreja paroquial nos arredores de Rennes, além de um hotel e simultaneamente edifício de escritórios em Marselha, todos já em construção. Vai também avançar a realização de um museu para uma vila galo-romana em Montréal du Gers, no sul de França; e o pavilhão deste país na Bienal de Arquitectura a decorrer em Veneza inclui uma obra feita em parceria com uma arquitecta portuguesa...

Sem pretensão de exaustividade, esta é uma lista que retrata na actualidade a presença da arquitectura portuguesa em França, um país conhecido pela sua abertura às culturas de todo o mundo, mas que, quando se trata desta disciplina e ramo de actividade, se resguarda muitas vezes dentro de uma legislação considerada demasiado proteccionista.

A Cité de l’Architecture et du Patrimoine, em Paris, acolhe actualmente (e até ao dia 29 de Agosto) a exposição Les universalistes, uma iniciativa da Fundação Gulbenkian com curadoria de Nuno Grande, que mostra aos visitantes o estado da arte da arquitectura portuguesa do último meio século.

Aquando da inauguração desta exposição junto da Torre Eiffel, o Ípsilon ouviu alguns dos arquitectos nela representados testemunhar sobre as suas experiências de trabalho neste país. E o denominador comum foi a constatação de uma regulamentação excessivamente proteccionista, que desvaloriza a intervenção do autor – que, por sua vez, é uma das marcas mais fortes nas obras documentadas em Les universalistes.

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Fernando Guerra e Sérgio Guerra
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A sala de música do Teatro-Auditório de Poitiers tem mais de mil lugares Fernando Guerra e Sérgio Guerra
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“É muito difícil trabalhar em França; é um país que tem regras diabólicas, uma legislação muito apertada”, queixava-se Eduardo Souto de Moura, que recentemente viu concluído um condomínio em Bordéus, “Le Berge du Lac”, e o hotel Ilot Allar, em Marselha, e que venceu o concurso para a construção do Teatro de Clermont Ferrand, com uma sala principal de 900 lugares, e cuja construção deve começar no próximo ano.

Também Álvaro Siza – que actualmente tem em curso a construção da igreja paroquial de Saint-Jacques-de-la-Lande, em Rennes – lamenta a alteração das condições de trabalho neste país, também para os arquitectos. “Da minha experiência, nos últimos tempos, vejo que na França também já existe esta ideia de que o arquitecto serve para dar a imagem e fazer aprovar os projectos; depois, durante a construção, é-lhe retirado o poder”, diz o autor do Pavilhão de Portugal, ressalvando, no entanto, que isso já se verifica também em Portugal e noutros países. “Hoje em dia, na Europa, trabalhar ‘à moda antiga’, no sentido do reconhecimento do papel do arquitecto durante todo o processo de construção, já só acontece na Suíça e na Alemanha”, diz Siza.

Na sequência da experiência que tem vivido em volta da exposição que organizou para a Cité de l’Architecture et du Patrimoine, tanto nas visitas que tem guiado como nos debates em que tem participado, Nuno Grande nota também que “o respeito pelo autor é suplantado, em França, por uma legislação cega que segmenta a obra em fases e especialidades técnicas, ultra-regulamentadas, às quais se exigem certificações e seguros absurdos, e que procura, sobretudo, defender a posição do promotor, do construtor e da indústria francesa”.

Souto de Moura dá dois exemplos: a legislação que determina que, nos próximos vinte anos, “os edifícios não vão poder gastar energia, mas produzir energia”; e o exagerado condicionamento das construções ao suposto respeito pelos deficientes. “As divisões das casas têm que ter um círculo de metro e meio para as cadeiras-de-rodas, portanto, toda a gente as aumentou, mas sem aumentar a área total, roubando assim à sala. Faz-me muita impressão que a sala deixou de ser um lugar de convívio e passou a ser apenas uma mesa onde as pessoas vêem televisão, e depois vão dormir”, diz o arquitecto.

Gonçalo Byrne também constata o exagerado proteccionismo da legislação gaulesa. “Os países grandes da Europa, sobretudo os que tiveram uma história de grande esplendor, centram-se demasiado neles próprios, e acabam por criar uma relação, não direi de rejeição, mas de auto-suficiência cultural”.

Igualmente numa perspectiva mais global, Manuel Aires Mateus vê em França o retrato de uma Europa em que “é muito mais fácil trabalhar no Norte do que no Sul”, e “nós somos o mais Sul que há”. Mas o autor, com o irmão Francisco, do Centro de Criação Contemporânea de Tours, actualmente em construção, adianta que “não há que ter medo”. “Temos um legado e também temos a obrigação de ajudar a que, para as próximas gerações, seja tudo mais fácil”, diz o arquitecto que recentemente venceu o concurso para o Centro Muçulmano de Bordéus. “É um projecto que está a andar devagar; a comunidade muçulmana está a fechar um novo acordo para o terreno, mas temos quatro anos para o fazer”, explica Aires Mateus.

Mais optimista está João Luís Carrilho da Graça, o autor do muito celebrado Teatro-Auditório de Poitiers, que é já uma referência da vida cultural da região de Poitou-Charantes. “Hoje em dia, o que é fácil também não tem muito interesse”, diz, notando que a França tem acolhido “muito bem os arquitectos portugueses desde há decénios”, com concursos “sempre muito abertos”.

E Carrilho da Graça – que prevê poder avançar em breve com o seu projecto de musealização da vila galo-romana de Séviac, no sul – acha mesmo que, apesar da crise, “a França é talvez o país onde os arquitectos portugueses podem trabalhar mais facilmente”.

Um exemplo, mais discreto, dessa presença é a participação de Natalina da Costa (atelier Hérard et Da Costa) no Pavilhão de França da Bienal de Veneza, com o projecto de uma padaria numa estrada nacional em Neuville-sur-Seine a integrar a vistosa exposição nacional Nouvelles du Front, Nouvelles Richesses.

O teatro amarelo

Quem chega de comboio à estação de Poitiers, no centro-oeste do país, vê destacar-se na colina da cidade um edifício espelhado de cor amarela, que sobressai claramente entre o verde da vegetação e os edifícios históricos da cidade. É o Teatro-Auditório de Poitiers (TAP), projectado por Carrilho da Graça, e um caso de sucesso do trabalho de arquitectos portugueses em terras de França.

Trata-se de um grande equipamento de raiz municipal, cujo projecto de construção foi lançado há duas décadas por um autarca da esquerda que governava a cidade. É constituído por dois grandes auditórios (uma sala de concertos com 1020 lugares e um teatro com 680 lugares), salas de ensaio, estúdios de gravação, um pátio-cantina interior e vários outros espaços que são utilizados como galerias de arte ou palcos para múltiplas actividades.

“Há tantos espaços que podem ser todos utilizados; um verdadeiro teatro é aquele que pode ser utilizado em todos os espaços da sua arquitectura”, diz ao Ípsilon o director do TAP, Jêrome Lecardeur, na visita ao equipamento que alberga a prestigiada Orquestra dos Campos Elísios, a Orquestra Regional de Poitou-Charantes e o grupo de música contemporânea Ars Nova.

Recordando a sua experiência em Poitiers, Carrilho da Graça – cujo projecto foi escolhido por unanimidade – realça “a grande actividade cultural da cidade, com permanentes espectáculos de dança, teatro e música, que ocupavam espaços dispersos e muito improvisados”. O novo edifício veio centralizar toda essa movida cultural, que hoje é uma marca desta cidade muito marcada pela população estudantil.

“O TAP passou a acolher praticamente toda a agenda cultural da cidade, e tanto pela localização, como pela programação, que é muito boa, as pessoas quase não vão a outro lado”, diz ao Ípsilon Julie Bernard Le Bec, jovem a trabalhar actualmente na Casa da Arquitectura de Poitou-Charentes, e co-presidente da recém-criada associação Vivre, Lire & Goûter.

Além disso, e tirando proveito da sua localização, o TAP foi projectado como um edifício-promenade ligando a estação ferroviária ao centro histórico, e que as pessoas percorrem independentemente de irem ou não assistir a um espectáculo.

A sua configuração – dois paralelepípedos amarelos e translúcidos pousados na colina – não deixou de motivar alguma polémica, aquando da construção. Jêrome Lecardeur não se encontrava ainda em Poitiers quando o teatro foi inaugurado, em 2008 – este ex-bailarino vindo da Scène National de Dieppe, na Normandia, só assumiria a direcção do TAP em 2010 –, mas soube das reacções negativas. “Quando surgiu, este edifício ultramoderno e amarelo provocou um choque”, diz o director, fazendo notar que “os franceses não gostam da cor”, e que isso é particularmente notório nesta cidade que “é muito pobre em cores; é branca, beije e... triste”.

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A Igreja de Saint-Jacques-de-la-Lande vai ter a assembleia no primeiro andar Georges Dussaud
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Respondendo a este facto, o director do TAP faz questão de manter o edifício iluminado de noite (além do amarelo, em circunstâncias especiais pode assumir as cores azul, ou vermelho), para ele se distinguir ainda mais da imagem da cidade medieval. “O edifício tem uma grande elegância; não se parece nada com um teatro – podia muito bem ser um museu de arte contemporânea”, diz Jêrome Lecardeur.

Quem acompanhou a construção do edifício foi Patrick Vettier, actual director da Casa da Arquitectura de Poitou-Charentes. “O projecto sofreu muita pressão por parte dos responsáveis da operação e dos proprietários da obra”, diz, via email. Mas vê agora o edifício de Carrilho da Graça já como “uma referência urbana totalmente identificada com a cidade, que se orgulha de possuir um instrumento cultural magnífico, cujo impacto ultrapassa a região”.

Para Patrick Vettier, o TAP é, por outro lado, um belo exemplo da arquitectura portuguesa, que “impõe a sua presença sem complacência nem concessões, com o cuidado permanente de se relacionar com o lugar em que se inscreve como uma necessidade vital”.

Arquitectura luminosa

É também com esta rendição à arquitectura lusófona que o responsável pela Casa da Arquitectura de Poitou-Charentes se refere ao Centro de Criação Contemporânea Olivier Debré (CCCOD), em fase final de construção na cidade de Tours, a norte de Poitiers, e que classifica também como uma expressão de “arquitectura luminosa”.

E não está apenas a referir-se à janela gigante de 12 metros de altura que marca a intervenção com que os irmãos Aires Mateus aproveitaram parte do velho edifício, que já foi escola de Belas-Artes, acoplando-lhe a nova construção.<_o3a_p>

“Os Aires Mateus trouxeram soluções inteligentes para os múltiplos constrangimentos colocados por um sítio classificado como Património Mundial”, comenta para o Ípsilon, também por email, o director do CCCOD, Alain Julien Laferrière.<_o3a_p>

Na margem esquerda do rio Loire, na parte oeste da cidade actualmente em renovação e onde pontua a linha do metro de superfície desenhado pelo artista conceptual francês Daniel Buren , os Aires Mateus decidiram tirar o máximo proveito do edifício pré-existente. “Este é um projecto de relação com o lugar, e com o programa histórico do próprio Centro”, diz Manuel, explicando a opção por “vazar” todo o velho edifício e transformar o seu volume em espaço de exposições aí serão exibidas as telas gigantes do pintor abstraccionista francês Olivier Debré (1920-1999), que fazem parte do espólio que doou à cidade, exigindo, como contrapartida, a construção do centro de criação contemporânea.<_o3a_p>

Esta solução, e especificamente “o tratamento da luz”, foi uma das razões explica Alain Julien Laferrière que levou o júri a escolher o projecto dos Aires Mateus no concurso internacional que contou com 94 candidaturas.<_o3a_p>

Acoplado àquela enorme galeria vertical, o novo Centro desdobra-se em três pisos contendo duas outras grandes salas de exposições (uma Black Box, no rés-do-chão, e uma White Box, esta também consagrada à obra de Olivier Debré), as duas “entrando em ‘diálogo’ e encontrando-se num soco feito de vidro e de luz”, explica Manuel Aires Mateus.<_o3a_p>

Em volta das duas salas, e de um “corredor” transparente para o exterior, dispõem-se galerias, salas-ateliers, cafetaria, loja e dois auditórios. “O edifício foi pensado para permitir ao visitante ter sempre diferentes pontos de vista enquanto percorre os corredores e olha pelas janelas que o circundam”, explicou ao Ípsilon Laïla Farah, da equipa do CCCOD, na visita à obra ainda em construção.<_o3a_p>

Se o plano de trabalhos for cumprido, o novo Centro abrirá as portas, de forma ainda informal, até ao final do ano, para entrar em funcionamento efectivo em 2017, acrescentou Laïla Farah.<_o3a_p>

“É interessante constatar como estes arquitectos originários do Sul, e mais particularmente desta Escola Portuguesa, trazem uma alternativa às arquitecturas desconstrutivistas e espetaculares que hoje florescem um pouco por todo o lado”, exclama Alain Julien Laferrière.<_o3a_p>

Siza e a fé na arquitectura

E se há um “arquitecto do Sul” que visivelmente se destaca dos seus pares portugueses é Álvaro Siza, que depois de uma má experiência com o projecto de urbanização da cidade de Montreil, na década de 1990, e de, alguns anos antes, ter sido preterido no concurso internacional para a Biblioteca Nacional de França, em Paris (que viria a ser projectada por Dominique Perrault), está finalmente a ver um projecto seu nascer em terras de França.

Trata-se da igreja de Saint-Jacques-de-la-Lande, num bairro a sul de Rennes, mas já praticamente em contiguidade com a área urbana da capital da Bretanha.

Siza foi convidado a desenhar esta que é a primeira igreja a ser construída nesta região francesa no século XXI pela paróquia local. “A obra causa grande surpresa a quem aqui passa, até por ser tão discreta”, diz Gaël Mauriseau, o jovem mestre-da-obra, que permitiu ao Ípsilon uma visita rápida ao estaleiro. E acrescenta que muita gente pensa tratar-se de “uma mesquita, até porque dizem que agora já quase não se constroem igrejas”.

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O Centro de Criação Contemporânea nasce no velho edifício que já foi a escola de Belas-Artes de Tours Atelier Aires Mateus
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Atelier Aires Mateus

Aquando da nossa visita, a meio da Primavera, o edifício tinha ainda apenas levantadas as paredes altas (com 12 metros de altura, mas apenas 25 centímetros de espessura) de betão branco descofrado, integrando-se delicadamente num bairro com blocos de habitação de cinco pisos rodeados de relva.

Uma velha capela em ruína, feita de tijolo e calcário, é a referência para o alinhamento da igreja de Siza com a envolvente. Ao contrário do que é habitual, a nave, de forma circular, vai acolher a assembleia (para 120 pessoas) no primeiro piso, deixando o rés-do-chão para os espaços sociais e administrativos. Sobe-se por uma escada dupla, uma virada para o interior, outra para a rua.

Aquando do lançamento da primeira pedra, em Novembro de 2015, Siza explicou em Rennes ter aceitado o projecto “com entusiasmo”, e explicou que a sua principal preocupação foi “integrar a igreja no tecido urbano”. Quando visitámos a obra, estava ainda em discussão a possibilidade de se acrescentar uma torre sineira ao projecto. Siza disse que sim, mas recusou que isso pudesse vir a afectar a qualidade do conjunto, já que a paróquia não quereria gastar mais dinheiro do que o inicialmente previsto. “Acrescentar uma torre está certo; ela até fica bem naquele espaço, mas não pude estar de acordo com reduções que pudessem vir a afectar a qualidade da obra”, disse então Siza ao Ípsilon, após uma reunião com o bispo de Rennes.

Ao mesmo tempo, explicou que a nova igreja “é diferente da do Marco [de Canavezes]”, até por ter uma nave circular. Mas, à imagem desta, a igreja de Rennes vai também ser marcada pelo aproveitamento da luz natural, que irá iluminar zenitalmente o altar, o sacrário, o púlpito e a pia baptismal, valorizando o carácter sagrado do lugar. Porque, mais do que uma questão de fé religiosa, disse Siza em Rennes, a construção de uma igreja é uma questão de “fé na arquitectura”.

“É uma notícia muito boa saber que vamos ter uma igreja de Siza aqui em Rennes”, comentou ao Ípsilon Christine Dussaud, uma habitante nos arredores de Rennes, pintora amadora e companheira do consagrado fotógrafo francês Georges Dussaud (que aceitou fotografar o estaleiro da obra para o PÚBLICO). E, a partir das linhas minimalistas entrevistas na obra ainda em curso, Christine vê na futura igreja “mais um momento de elevação e pureza” a acrescentar a outros que conhece bem, dos edifícios do arquitecto em Portugal. “Siza vai sempre ao essencial; é rigoroso sem ser austero, não faz nenhuma concessão ao espectáculo”, acrescenta.