Crónica

Um belo negócio

A Filmin.pt está cheia de bons filmes, com muitas obras-primas clássicas e contemporâneas pelo meio. Nem é preciso procurá-los. A selecção está cheia de certezas e surpresas como se o único critério fosse a sensibilidade e a inteligência.

Quase todos os filmes da Filmin podem ver-se por 6,95 euros por mês. Para vê-los num televisor basta ligar o cabo HDMI ao computador. Vi oito filmes sem uma única interrupção. A qualidade da imagem e do som é excelente, muito superior à Netflix. A Netflix desfoca no início e sofre de oscilações irritantes. A Filmin tem, por enquanto, a desvantagem de precisar de um computador mas demora 15 segundos a ligar e a transmissão é perfeita.

Para ver filmes ainda em estreia - como Tão Só o Fim do Mundo de Xavier Dolan e O Vendedor de Asghar Farhadi - paga-se 3,95 por filme, dispondo-se de 72 horas para revê-los.

A comodidade é bem-vinda mas o preço ajuda à festa. É menos de dois euros por pessoa. Compare-se com o dinheiro, trabalho e tempo que leva ir ver um filme num cinema. Para mais a Filmin só tem filmes que se devem ir ver numa sala de cinema. Deve-se ir mas não se vai. Fica-se com pena.

A Filmin dá-nos uma segunda oportunidade. Houve uma mudança de atitude. Abandonou-se a intransigência. A Filmin só pode ser boa para o cinema porque depende completamente do cinema. Para além disso cria a apetência de ir ao cinema. Certos filmes - e não necessariamente os melhores - não dão para ver em casa.

A Filmin ajuda-nos a descobrir e a relembrar quais são.