Crítica

Veio do outro mundo

Vida Inteligente é um bom entretenimento de género, uma série B despachada mesmo que derivativa.

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Vida Inteligente: a única coisa que se quer são mesmo duas horas de saltos na cadeira
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Já começa a ser um tique, isto de perguntar “o que faria John Carpenter com este material?”.

Mas visto que Carpenter não anda a fazer nada, e que os filmes que ele poderia fazer (com grande vantagem para todos os envolvidos) são feitos por tarefeiros ou aspirantes à primeira divisão, não ficamos muito mal servidos com o sueco Daniel Espinosa a tratar desta série B despachada, assumida, cruzamento de Alien com Veio do Outro Mundo (com uns pózinhos pelo meio de Gravidade ou A Ameaça de Andrómeda).

O tour de force do plano de abertura — um longo plano-sequência em gravidade zero onde a câmara parece flutuar pelos corredores — e o próprio tom do filme, que nunca escolhe entre a ficção científica hardcore e o filme de terror apocalíptico, remetem inevitavelmente para Carpenter.

Seis astronautas na Estação Espacial Internacional recebem amostras de uma missão não tripulada a Marte, nas quais encontram prova da existência de vida no planeta vermelho —e se acham que a vida que eles encontram é inofensiva, não havia filme (e não estamos com isto a revelar spoilers nenhuns). Vida Inteligente é um bom entretenimento de género, eficaz se bem que previsível, extremamente derivativo — mas isso não tem mal nenhum quando a única coisa que se quer são duas horas de saltos na cadeira.