Crítico de Passos responsabiliza Carlos Carreiras por conflito interno em Lisboa

A ruptura das negociações para uma coligação com o CDS ditou uma outra decisão: o PSD irá concorrer sozinho a todas as juntas de freguesia da capital.

Sem coligação na câmara, Passos e Cristas também não avançam juntos nas freguesias lisboetas
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Sem coligação na câmara, Passos e Cristas também não avançam juntos nas freguesias lisboetas ENRIC VIVES RUBIO

Depois de meses de expectativa e de desencontros entre a direcção nacional do PSD e as estruturas locais de Lisboa, a aprovação formal do candidato do partido à capital – a deputada Teresa Leal Coelho – é marcada por uma troca azeda de palavras e até de acusações de violação dos regulamentos, sem esquecer a desilusão gerada pela escolha. A ruptura das negociações para uma coligação com o CDS ditou uma outra decisão: o PSD irá concorrer sozinho a todas as juntas de freguesia.  

Nesta sexta-feira à noite, os militantes da concelhia do PSD Lisboa tinham um plenário marcado que prometia ser quente. Uma das vozes críticas é a de Pedro Rodrigues, ex-líder da JSD, que responsabiliza o coordenador autárquico, Carlos Carreiras, a distrital e a concelhia, mas não o líder do PSD pela confusão instalada nas estruturas locais. “Quando Pedro Santana Lopes disse que não [a ser candidato], o presidente da concelhia disse que a responsabilidade passava a ser do presidente do partido. Obviamente a responsabilidade do que se está a passar em Lisboa é do presidente da concelhia, da distrital e do coordenador autárquico que se demitiram da sua responsabilidade e atiraram-na para cima do presidente do partido”, afirmou o ex-deputado que é um crítico de Passos Coelho.

O próprio plenário está a ser contestado. Há quem questione a convocação regular da reunião por não ter sido feita com a antecedência suficiente para ser publicada no jornal oficial do PSD- o Povo Livre – como exigem os regulamentos. O líder da concelhia de Lisboa, Mauro Xavier, confirma que a convocatória só foi enviada no último dia do prazo e que não foi publicada no jornal, mas lembra que a ordem de trabalhos não tem nenhuma votação e que refere apenas análise da situação política. O líder da concelhia mantém o desconforto sobre o método escolhido por Passos Coelho ao remeter a aprovação formal do nome para a distrital e excluir a concelhia do processo. A discordância é política e não formal, mas há quem defenda que a aprovação do candidato teria mesmo de passar na concelhia para cumprir os estatutos do partido. Outros vêem com naturalidade que o líder do PSD possa chamar a si o processo sobretudo quando se está a falar de Lisboa ou do Porto e como aconteceu no passado. O representante da concelhia poderá dar a sua posição na reunião da distrital no domingo onde Teresa Leal Coelho será aprovada formalmente. Depois passará na comissão política nacional de terça-feira.

As listas para a câmara só serão apresentadas no Verão, mas ao que o PÚBLICO apurou podem incluir Carlos Barbosa, presidente do Automóvel Clube de Portugal, e actuais vereadores como António Proa e Alexandra Duarte (que tem substituído Teresa Leal Coelho nas suas ausências). O certo é que não haverá coligações com o CDS nas juntas de freguesia – como acontece actualmente – depois de terem falhado as negociações para o apoio do PSD a Assunção Cristas.

O nome de Teresa Leal Coelho não gerou entusiasmo em Lisboa, segundo fontes sociais-democratas, não por causa da própria mas também por se terem elevado as expectativas nos últimos meses. Há quem lembre que a primeira escolha era Pedro Santana Lopes, ex-presidente da câmara e antigo primeiro-ministro. E que Fernando Medina substituiu António Costa no município sem ter ido a votos, o que poderia ser uma fragilidade. Agora, como refere uma fonte do PSD de Lisboa, o nome escolhido foi “um balde de água fria”. 

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