Segundo volume das memórias de Mandela sai no Outono

Livro centra-se nos anos da presidência do líder sul-africano e símbolo da luta contra o apartheid. Foi terminado com recurso a materiais de arquivo e a um romancista que foi forçado a viver no exílio, Mandla Langa.

Nelson Mandela em 1996
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Nelson Mandela em 1996 Reuters/MIKE HUTCHINGS

Quando morreu, em Dezembro de 2013, Nelson Mandela deixou o manuscrito de Dare Not Linger por acabar, apesar de ter começado a trabalhar neste livro centrado nos anos em que ocupou a presidência da África do Sul (1994-1999) quando era ainda chefe de Estado. Agora, os que esperavam há muito por este segundo volume das suas memórias – o primeiro é o best-seller Um Longo Caminho para a Liberdade, já adaptado ao cinema e com Idris Elba no papel do histórico líder africano – têm motivos para festejar.

Dare Not Linger tem lançamento marcado para este Outono, garante o diário britânico The Guardian, e deve a sua publicação ao trabalho de Mandla Langa, o poeta e romancista que pegou no que Mandela escreveu sobre os anos que passou à frente do país e lhe juntou o material de arquivo (notas de reuniões e de agendas pessoais, discursos, documentos de trabalho) que foi encontrando sobre a presidência daquele que é um dos políticos mais icónicos do século XX.

“Ele tinha escrito qualquer coisa como 70 mil palavras, o que, noutros casos, seria considerado um manuscrito completo. Mas queria escrever muito mais”, disse ao Guardian Mandla Langa, o autor de The Lost Colours of the Chameleon, admitindo que começou por achar que era demasiado assustadora a tarefa de dar por terminadas as memórias de Mandela por temer que as suas intervenções viesse a silenciar as palavras do homem que é – e será - o rosto da luta contra o apartheid. Diz o autor que tudo fez para que a “voz” do antigo Presidente “brilhasse o mais possível através da escrita”.

Para a editora encarregue da publicação, Georgina Morley, da Macmillan, o esforço de Langa compensou: “[Dare Not Linger] é o mais próximo que alguma vez estaremos de uma sequela verdadeiramente autobiográfica de Um Longo Caminho para a Liberdade.”

No primeiro volume das suas memórias, Mandela concentra-se na juventude, do início do seu activismo cívico, político, aos anos em que viveu na clandestinidade, período dramático que em 1964 haveria de conduzi-lo à prisão, onde ficou 25 anos, terminando nas primeiras eleições multirraciais da África do Sul, em Abril de 1994.

Preocupado em dar um retrato tão fiel e completo quanto possível do contexto em que Mandela chega à presidência de um país que vivera cinco décadas de apartheid, Langa optou por começar Dare Not Linger em 1993, nas vésperas das eleições, as primeiras em que a comunidade negra foi chamada a votar, acompanha-o depois na corrida presidencial e no governo, quando leva a cabo um ambicioso programa de reformas que garante a transição da África do Sul para a democracia.

Nascido na África do Sul em 1950, Mandla Langa também se envolveu na luta contra o apartheid  e passou a viver no exílio depois de ter sido preso, em 1976, transformando-se no representante cultural do Congresso Nacional Africano, o partido de Mandela, em Londres. É por causa deste passado, mas também do seu conhecimento profundo da realidade sul-africana, que o autor de The Lost Colours of the Chameleon era a pessoa ideal para acabar estas memórias, defende a editora da Macmillan: “Ele traz uma perspectiva perspicaz sobre a África do Sul, e sobre política da África do Sul, assim como sobre o que é ser negro e viver no apartheid. Muitos dos relatos que temos deste período são escritos por comentadores brancos.”

O lançamento nos Estados Unidos e no Reino Unido está marcado para Outubro e os direitos do novo volume foram já vendidos para vários países europeus. Em Portugal sairá com a chancela da Marcador, que ainda não disse quando é que o novo volume vai chegar às livrarias.

Na página da Macmillan a capa de Dare Not Linger ainda não está disponível, mas a breve sinopse que o anuncia faz-nos regressar ao primeiro volume de memórias de Mandela, tudo para lembrar que o livro que Langa deu por terminado é a continuação de uma história que já começámos a ler.

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