Este ano dois portugueses vão marcar agenda internacional dos oceanos

Em 2017, vai organizar-se a Our Ocean, em Malta, e a Conferência dos Oceanos, em Nova Iorque.

Miguel de Serpa Soares
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Miguel de Serpa Soares Daniel Rocha

Miguel de Serpa Soares é subsecretário-geral das Nações Unidas para os Assuntos Legais. João Aguiar Machado é director dos Assuntos Marítimos e da Pesca da Comissão Europeia. Os dois, que estiveram em Lisboa na apresentação da nova Fundação Oceano Azul esta sexta-feira, estão envolvidos na organização de duas conferências sobre os oceanos, uma em Nova Iorque e outra em Malta, que este ano procurarão marcar a agenda internacional sobre estas questões.

A 5 a 9 de Julho, em Nova Iorque, vai decorrer a Conferência dos Oceanos, organizada pelas Nações Unidas. “Na agenda multilateral, no ano passado, houve duas coisas muito importantes, que foi o Acordo de Paris sobre as alterações climáticas e a adopção da Agenda 2030, que é a agenda mundial para o desenvolvimento [sustentável]”, explica ao PÚBLICO Miguel de Serpa Soares. “Foi a partir daqui que surgiu a Conferência dos Oceanos.”

Os temas irão desde a conservação marinha até à pesca excessiva. E o que vai estar em cima da mesa? “Não queremos que seja só algo social, mas que tenha também uma acção concreta e resulte em compromissos dos governos em relação ao Objectivo 14 [Proteger a Vida Marinha entre os 17 Objectivos de Desenvolvimento Sustentável]”, diz. “Espero um número muito importante de chefes de Estado e de governos.”

Miguel de Serpa Soares vê como grandes desafios o estudo das alterações climáticas, a acidificação dos oceanos, a poluição ou a sustentabilidade das pescas. “É alarmante a situação dos oceanos. Aliás, é muito pior do que a gente imaginava”, diz. “Ao mesmo tempo, o conhecimento dessa situação só é possível porque há uma grande evolução tecnológica e científica.” Para combater estes problemas, Miguel de Serpa Soares considera que é necessário consolidar a relação entre a ciência e a política: “É importante que o decisor político se baseie na melhor decisão possível [apoiada na ciência].”

PÚBLICO -
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João Aguiar Machado DR

João Aguiar Machado está na organização da quarta conferência Our Ocean, em Malta a 5 e 6 de Outubro. “Os oceanos são, por um lado, essenciais para a vida humana e, ao mesmo tempo, são ecossistemas frágeis.” Nesta conferência vão discutir-se grandes ameaças como a pesca excessiva, a poluição, a destruição dos ecossistemas costeiros e da biodiversidade marinha e das emissões de dióxido de carbono.

A primeira conferência Our Ocean foi lançada, há três anos, por John Kerry, secretário de Estado da Administração de Barack Obama, nos Estados Unidos. A segunda foi no Chile e a terceira voltou aos Estados Unidos. Agora, pela primeira, será na Europa. “Vão estar lá representantes dos governos, empresas do sector privado e organizações da sociedade civil”, refere João Aguiar Machado. “Desta vez, vai ter novos enfoques.” Além de uma preocupação com o Norte de África e o oceano Índico, a organização desta conferência quer que empresas privadas, como as que produzem plástico, também participem.

Além das grandes ameaças, outros temas da conferência “Our Ocean” serão a protecção dos oceanos, a pesca sustentável ou, a propósito da exploração de recursos do mar, a economia azul. “O objectivo é se anunciem propostas concretas nas áreas marítimas ou de investigação, e depois que sejam monitorizadas nos anos seguintes. Afinal, não que queremos fazer no mar os mesmos erros que fizemos em terra.” As próximas duas conferências Our Ocean já têm sítio marcado: 2018 na Noruega e 2019 na Indonésia.