Número de turistas chineses mais que duplicou em três anos

Secretária de Estado do Turismo vai à China, poucos meses antes dos primeiros voos directos. Chineses concentram-se mais em Lisboa e no Alentejo, e preferem hotéis de quatro e cinco estrelas.

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O número de turistas provenientes da China chegou aos 183 mil no ano passado PAULO PIMENTA

O crescimento de turistas chineses em Portugal tem sido uma constante, a um ritmo de dois dígitos, e promete acelerar a partir do Verão, quando for inaugurada a primeira rota aérea entre os dois países. Para já, e de acordo com os últimos dados, disponibilizados ao PÚBLICO pelo Turismo de Portugal, o número de turistas provenientes da China chegou aos 183 mil em 2016, mais 19% face ao ano anterior. Em 2013, o número não ia além dos 76 mil.

Com o aumento do número de viajantes chega também um crescimento no valor das compras, com as receitas a atingirem os 72 milhões de euros (mais 16% face a 2015). Em termos de alojamentos, a preferência vai para os hotéis (91% do total), com destaque para os de 4 e de 5 estrelas. A região de Lisboa concentra 74% do total das visitas, mas o Alentejo também chama a atenção dos chineses, com 10%. Nestes dois casos, a China deixa a vigésima posição em termos de mercado emissor e passa para a 11ª e 9ª posição, respectivamente.

Na estratégia para o turismo até 2027, ontem apresentada pelo Governo, este país surge como um “mercado de aposta”, cujo potencial será mais evidente após Julho, mês em que se prevê que comecem os primeiros voos entre Hangzhou e Lisboa (com paragem em Pequim).

No ano passado, quando foi oficializada a ligação, o presidente do Turismo de Portugal, Luís Araújo, destacou que esta era “estratégica” para o sector, já que a China posiciona-se como o principal mercado emissor a nível mundial. A rubrica oficial do acordo ficou a cargo do primeiro-ministro, António Costa, que se deslocou a este país oriental no passado mês de Outubro, e do presidente da República Popular da China, Xi Jinping.

Portugal vai ao encontro de Alibaba

Os voos vão ser realizados pela Beijing Capital Airlines, do grupo HNA. Esta empresa está ligada a David Neelman (através da companhia brasileira Azul), sócio de Humberto Pedrosa na Atlantic Gateway, o consórcio privado que ficou com a TAP, e na qual a HNA se prepara para entrar. O contrato de venda da companhia aérea portuguesa, que permitiu ao Estado ficar com 50% do capital, prevê que a HNA fique com 7% da Atlantic Gateway. Além disso, a HNA detém a Caissa Touristic, um dos grandes operadores turísticos ligados ao mercado chinês. Por outro lado, também a Fosun, agora o maior accionista do BCP e dono da Fidelidade e dos hospitais da Luz Saúde, detém uma participação na operadora Thomas Cook, uma das maiores na Europa.

Esta segunda-feira, o Turismo de Portugal vai iniciar um roadshow para vender o destino Portugal por cinco cidades chinesas, levando consigo 13 empresas. Depois, no dia 24, começa uma visita oficial, com a presença da secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho, e do presidente do Turismo de Portugal. Segundo afirmou ao PÚBLICO fonte do gabinete da secretária de Estado, a China é vista como um "mercado importante", cujo ritmo de crescimento importa manter. Em termos de timing, a ideia é fazer um esforço de promoção extra numa altura que vão ter início os voos directos.

Na agenda estão reuniões com empresas locais para promover Portugal como destino, e para tentar captar investimentos. Uma das empresas é a Fosun, e outra é a Alibaba, do bilionário Jack Ma. Neste caso, a estratégia passa por ter uma página de Portugal no Alitrip (ou “Fliggy”), o negócio ligado às viagens. O potencial está bem à vista: em 2015, 12 milhões de chineses visitaram a Europa.

No anuário de tendências para este ano, elaborado pelo Instituto de Planeamento e Desenvolvimento do Turismo (IPDT), a China era um dos temas de destaque. Segundo vários especialistas, a necessidade de conexão fácil via telemóvel com os seus familiares, bons transportes, segurança, saúde, ambiente, património e compras são temas centrais nas viagens. A isto acrescem outros como a necessidade de conseguir responder às necessidades linguísticas (traduções e sinaléticas) e alimentares. Um dos passos já dados no sentido de facilitar a vida a estes turistas foi o de permitir o uso de cartões de pagamento chineses tal como se estivessem no seu país, no âmbito de um acordo entre a UnionPay e a Redunicre e a SIBS.