Auscultadores explodem durante voo e queimam cara de passageira

As autoridades australianas a investigar o incidente num voo entre Pequim e Melbourne alertam para o perigo de transportar aparelhos com baterias recarregáveis.

A mulher estava a dormir quando acordou com o barulho da explosão
A mulher estava a dormir quando acordou com o barulho da explosão Departamento de Segurança dos Transportes Australianos (ATSB)
A explosão causou queimaduras na cara e nas mãos da passageira
A explosão causou queimaduras na cara e nas mãos da passageira Departamento de Segurança dos Transportes Australianos (ATSB)
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As autoridades australianas estão a investigar a explosão de um par de auscultadores recarregáveis a bordo de um voo entre Pequim e Melbourne que causou queimaduras nas mãos e na cara da mulher que os estava a utilizar.

A passageira terá adormecido a ouvir música duas horas depois de o voo deslocar da capital chinesa e acordou com o barulho de algo a rebentar. Assustada, levou as mãos à cara, atirando os auscultadores para o chão. Viu-os a pegar fogo e a derreter no chão do avião.

“Só agarrei a minha cara, o que levou os auscultadores a darem a volta ao meu pescoço", disse a mulher em declarações ao Departamento de Segurança dos Transportes Australianos (ATSB), que emitiram um comunicado esta quarta-feira sobre o incidente. Os auscultadores responsáveis pelo acidente eram da própria passageira que não foi identificada. “Quando fui para apagar o fogo, as comissárias de bordo já lá estavam com um balde de água,” conta a mulher. O cheiro a queimado e plástico derretido levou vários passageiros a tossir durante o resto do voo.

As autoridades australianas optaram por não revelar mais informações sobre a marca ou o modelo do aparelho enquanto o caso está a ser investigado. No comunicado, escrevem que é provável que tenham sido as baterias do dispositivo a começar o fogo. No dia anterior, um avião Airbus A320 terá feito uma aterragem de emergência em Nagoia, Japão, depois de um powerbank (carregador de bateria portátil) no compartimento superior de um avião ter iniciado um incêndio. O caso foi relatado na revista oficial da Autoridade de Segurança Área da Austrália (CASA) que tem notado um crescimento acentuado nos problemas com dispositivos electrónicos durante voos nos últimos anos. Houve uma subida de apenas três casos em 2011, para 106 em 2015.

O PÚBLICO tentou contactar o ATSB para pedir mais informações, mas não teve resposta até à data de publicação. 

Baterias à base de lítio causam incêndios

Há mais de 25 anos que este tipo de baterias é utilizado para carregar aparelhos portáteis: a primeira bateria à base de íon-lítio começou a ser comercializada pela Sony em 1991. Porém a crescente procura para aparelhos cada vez mais pequenos, com maior autonomia, tem levado os profissionais que criam as baterias a testar os limites de segurança relativos à quantidade de energia que se pode armazenar num local pequeno.

Em Janeiro deste ano, a Samsung também revelou que foram defeitos nas baterias de íon-lítio que provocaram os incêndios no seu modelo de telemóvel Galaxy Note 7, que teve de deixar de fabricar.

“No fundo, uma bateria é uma bomba que liberta energia de uma forma controlada,” explicou Qichau Hu, um antigo investigador do MIT que trabalha com baterias, em declarações à Reuters. “Há riscos de segurança para qualquer tipo de baterias, e à medida que se chega a um nível de maior densidade energética e carregamento mais acelerado a barreira a uma explosão é cada vez menor.”

Durante um voo, as autoridades australianas recomendam que as baterias suplentes que não estejam a ser utilizadas sigam na bagagem de mão, mas guardadas em recipientes aprovados.

Texto editado por Hugo Daniel Sousa

Actualização: clarificado que o Departamento de Segurança dos Transportes Australianos optou por não revelar informação sobre a marca dos auscultadores enquanto o caso está a ser investigado.