Passos acusa Costa de ter atitude “reles e ordinária”

Líder do PSD furioso com primeiro-ministro por causa do caso dos offshores.

Passos irritou-se com a intervenção de António Costa no debate quinzenal
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Passos irritou-se com a intervenção de António Costa no debate quinzenal LUSA/MÁRIO CRUZ

O líder do PSD ficou furioso com as afirmações do primeiro-ministro, António Costa, durante o debate quinzenal, quando acusou o anterior Governo de ser zeloso no despejo de famílias por dívidas fiscais, ao mesmo tempo que foi incapaz de impedir a fuga de milhões para offshores. Passos Coelho protestou naquele momento, acusando Costa de fazer "insinuações de baixo nível", e esta quinta-feira reforçou o tom: o primeiro-ministro teve atitude “reles e ordinária”.

A indignação foi expressa na manhã desta quinta-feira perante os deputados do PSD na reunião da bancada que decorreu à porta fechada. Ao que o PÚBLICO apurou, Passos Coelho criticou fortemente António Costa por responsabilizar politicamente o anterior Governo no caso das transferências de dinheiro para paraísos fiscais sem controlo do fisco, entre 2011 e 2014. No debate, o próprio Passos Coelho afirmou desconhecer a situação enquanto primeiro-ministro. E reiterou a intenção de apurar toda a verdade. Nesse sentido, Passos Coelho disse aos deputados ter dado indicações ao líder da bancada parlamentar, Luís Montenegro, para pedir audições a antigos governantes e responsáveis da Autoridade Tributária para se perceber o que se passou.

No final da reunião, Luís Montenegro anunciou aos jornalistas que o PSD vai pedir para serem ouvidos os directores-gerais da Autoridade Tributária e Aduaneira que exerceram funções desde 2011, bem como do inspector-geral de Finanças.

O caso motivou um dos episódios de tensão entre Passos Coelho e António Costa durante o debate quinzenal. O primeiro-ministro respondia já ao secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, quando fez a afirmação que irritou o líder do PSD. “É absolutamente escandaloso que um governo que não hesitou em não acabar com a penhora da morada de família, por qualquer dívida, tenha tido a incapacidade de verificar o que aconteceu com 10 mil milhões de euros”, afirmou o primeiro-ministro. Foi nessa altura que Passos Coelho, com o microfone desligado, mas de dedo em riste, acusou António Costa de fazer "insinuações de baixo nível” e de "não ter moral para as fazer".

Na manhã desta quinta-feira, no final da reunião da bancada, Montenegro também deu conta da indignação dos sociais-democratas, ao acusar António Costa de lançar uma “insinuação soez e indigna” ao responsabilizar o anterior Governo pelas transferências sem controlo. 

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