Espanha cresceu 3,2% e superou todas as expectativas

PIB da maior economia ibérica cresceu em 2016 mais do que era antecipado por toda a gente, incluindo o Governo.

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Reuters/ANDREA COMAS

Se por cá as previsões económicas por parte das instituições financeiras nacionais e internacionais têm dado que falar, no país vizinho, Espanha, o cenário é ainda mais surpreendente. Isto porque ninguém acertou no crescimento do PIB espanhol em 2016.

Os que mais se aproximaram foram os antecipados pelo próprio Governo, o Instituto de Estudos Económicos de Espanha, a empresa Intermoney e a Repsol, que apontavam para um crescimento de 3% em 2016. O real é de 3,2%, dá conta o jornal económico espanhol Expansión.

As previsões das entidades financeiras ficaram, em média, nos 2,8%. Os mais pessimistas foram mesmo o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o banco La Caixa que calcularam um crescimento de 2,5%.

O ano de 2016 marca assim o terceiro consecutivo com a economia espanhola a crescer. Mas, mais do que isso, os resultados positivos surgem num período onde Espanha esteve, literalmente, sem Governo, provando-se, desta maneira, a resistência da economia face à crise política que se seguiu às eleições no final de 2015, que deu uma maioria relativa a Mariano Rajoy e que iniciou um largo período onde não se chegou a qualquer consenso sobre o futuro político de Espanha.

Por cá as previsões continuam, e soube-se esta quarta-feira que, descontentes com as reformas estruturais realizadas e preocupados com o nível de endividamento público e privado no país, os técnicos do FMI apontam para uma taxa de crescimento do PIB português de 1,3% este ano que, a concretizar-se, significaria na prática a quase estagnação da economia portuguesa durante os próximos quatro trimestres.

No mesmo dia foi também noticiado que Portugal voltou, tal como aconteceu em anos anteriores, a ser colocado pela Comissão no grupo dos países da União Europeia que enfrentam “desequilíbrios económicos excessivos”. Dentro deste patamar ficaram mais cinco países além de Portugal: França, Itália, Bulgária, Croácia e Chipre.

A classificação de “desequilíbrios económicos excessivos” é a mais negativa que é atribuída nesta fase e significa que entre Abril e Maio, as autoridades europeias irão avaliar a estratégia definida pelos governos destes países (nomeadamente o Programa de Estabilidade e Crescimento e o Programa Nacional de Reformas) e decidir se iniciam ou não um Procedimento por Desequilíbrio Excessivo. Este procedimento é semelhante ao Procedimento por Défice Excessivo, mas focado na situação global da economia e não apenas nas Finanças Públicas, e, segundo as regras europeias, pode resultar, no caso de não tomada sucessiva das medidas recomendadas, à aplicação de multas financeiras ao país. Até agora, nunca esse passo foi dado pela Comissão em relação a qualquer país.