Ex-líder do PSD-Açores é candidato a Ponta Delgada

Álvaro Dâmaso, antigo presidente do PSD açoriano, anunciou a candidatura à principal autarquia do arquipélago. Fá-lo de forma independente, porque Ponta Delgada "merece mais”.

Álvaro Dâmaso foi derrotado por Carlos César nas regionais de 1996
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Álvaro Dâmaso foi derrotado por Carlos César nas regionais de 1996

Uma candidatura independente. “Totalmente independente.” É assim que Álvaro Dâmaso, ex-líder do PSD-Açores, define a intenção de concorrer à Câmara Municipal de Ponta Delgada, actualmente nas mãos do também social-democrata José Boleiro.

“Candidato-me porque considero que Ponta Delgada, por ser a porta de entrada dos Açores, e a maior cidade, merece mais”, sintetizou Álvaro Dâmaso ao PÚBLICO, insistindo que a candidatura é independente e apartidária. “Não enjeito o apoio de ninguém, naturalmente, mas avanço sem partidos, para que Ponta Delgada tenha um verdadeira gestão autárquica”, acrescenta.

Sem estar “contra ninguém” e olhando apenas para o futuro, o candidato quer, para já, contribuir para o debate político nos Açores. “A região precisa de um diálogo intenso e de um debate que seja enriquecedor”, defende, explicando que decidiu avançar também pelas reformas autárquicas que estão a ser faladas no país, como a Lei das Finanças Locais e a descentralização.

Jurista de formação, mas com uma carreira consolidada na área financeira – foi presidente da Bolsa de Lisboa, da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) além de integrar o conselho de administração de vários bancos –, Álvaro Dâmaso acena com a vasta experiência em gestão para capitalizar apoios. “As pessoas conhecem o meu trabalho”, diz, confiante o ex-presidente da Anacom e da Agência para o Investimentos dos Açores.

Dâmaso, 67 anos, ocupou vários governativos durante os executivos regionais de Mota Amaral. Foi secretário regional das Finanças, do Trabalho e da Economia em três governos, e deputado nos Açores e em São Bento. Sucedeu ao histórico social-democrata açoriano na presidência do partido, perdendo para Carlos César as regionais de 1996. Um ano que marcou uma viragem à esquerda do arquipélago, que desde essa data tem sido governado pelo PS.

O líder do PSD local, Duarte Freitas, desvaloriza a candidatura de Dâmaso. “Quem decide os candidatos do partido são as concelhias, mas a regra é a recandidatura dos actuais autarcas”, diz, rejeitando o apoio do partido a Dâmaso.