Adiado julgamento de português detido nos EUA por venda ilegal de espécies protegidas

O imigrante da ilha do Corvo aguarda julgamento em liberdade, com pulseira electrónica, depois de ter pago uma caução de um milhão de dólares.

Carlos Rafael conhecido por “codfather” (um trocadilho com as palavras bacalhau e o título do filme Padrinho em inglês)
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Carlos Rafael conhecido por “codfather” (um trocadilho com as palavras bacalhau e o título do filme Padrinho em inglês) Rui Soares / PUBLICO

O julgamento do empresário português Carlos Rafael, acusado de capturar e vender espécies protegidas de peixe nos EUA, foi adiado para o dia 20 Março, confirmou o Tribunal Distrital de Boston à Lusa.

O pedido de adiamento apresentado pelo advogado, consultado pela Lusa, indica que Carlos Rafael está em negociações com a acusação para chegar a um acordo e evitar a ida a tribunal. "O curto adiamento pedido nesta moção vai permitir (...) completar as discussões com a procuradoria referentes ao tema do julgamento", escreveu o advogado William H. Kettlewell.

O imigrante da ilha do Corvo é dono de uma das maiores operações de pesca comercial do Noroeste americano, a Carlos Seafood Inc, e aguarda julgamento em liberdade, com pulseira electrónica, depois de ter pago uma caução de um milhão de dólares (cerca de 930 mil euros).

O empresário, de 64 anos, conhecido por “codfather” (um trocadilho com as palavras bacalhau e o título do filme Padrinho em inglês) está a ser acusado de 27 crimes, incluindo conspiração e prestação de registos falsos.

Segundo a acusação, o imigrante açoriano mentiu durante anos às autoridades sobre as quantidades e espécies de peixe capturadas pela sua frota para contornar quotas de pesca sustentável. Rafael venderia depois o peixe por "sacos de dinheiro" a um vendedor por atacado de Nova Iorque.

Ainda segundo a acusação, o empresário usava compartimentos falsos para transportar o peixe e usava rótulos errados para evitar as quotas. O mesmo canal garante que a investigação ainda decorre e mais detenções podem acontecer. A investigação, que envolveu o fisco dos EUA, os serviços de investigação da Guarda Costeira e a Organização Nacional dos Oceanos e Atmosfera, começou depois de Rafael colocar o seu negócio a venda no ano passado.

Quando dois agentes à paisana se fizeram passar por potenciais compradores, o português confessou a sua operação "fora dos cadernos". Em Janeiro deste ano, Rafael e a sua contabilista explicaram o passo-a-passo da operação, a que se referiam como "a dança", durante uma reunião com os falsos compradores.

No encontro, Carlos Rafael afirmou que tinha ganhado 668 mil dólares (cerca de 614 mil euros). Os investigadores acreditam que parte do dinheiro foi desviada para Portugal através do aeroporto de Boston.

O julgamento de António Freitas, o alegado cúmplice de Carlos Rafael no Departamento do Xerife de Bristol, também foi adiado, estando agora agendado para 15 de Maio.