Luta de “dinossauros” no PSD de Castro Marim

Concelhia dos sociais-democratas decidiu escolha de candidato a presidente de câmara contra a vontade da distrital.

Francisco Amaral quer-se recandidatar a Castro Marim
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Francisco Amaral quer recandidatar-se a Castro Marim Enric Vives-Rubio

O presidente da Câmara de Castro Marim, Francisco Amaral, viu negada pela concelhia do PSD a sua vontade em se recandidatar. O autarca tem como adversário interno o antigo presidente da câmara, José Estevens, que esteve 16 anos à frente dos destinos do concelho. Nas últimas eleições autárquicas, Francisco Amaral - depois de ter sido presidente do vizinho concelho de Alcoutim durante duas décadas – ficou a dirigir Castro Marim, em guerra aberta com os dirigentes locais do seu partido

O primeiro embate deu-se logo no início do mandato, quando demitiu o seu adjunto no executivo, Vítor Madeira, influente no PSD local. “Demiti-o porque era incompetente”, justificou. O autarca, médico de profissão, queixa-se de que está a ser alvo de “terrorismo político e psicológico” nas redes sociais. 

Por seu lado, José Estevens, presidente da concelhia, em declarações ao PÚBLICO, comenta: “As verdades às vezes são duras”. Os três anos de mandato de Francisco Amaral, acusam os dirigentes da concelhia, “traduziram-se numa desilusão e num logro completo para a comunidade castromarinense”. Às observações que lhe foram sendo feitas ao longo do mandato, diz o PSD de Castro Marim, o presidente da câmara respondeu com “desconfiança e a soberba de ter sido autarca durante 20 anos em Alcoutim”. Por tudo isto, a concelhia já aprovou, por unanimidade, a candidatura de Estevens às autárquicas de 2017.

De opinião diferente, o PSD/Algarve - seguindo a linha do PSD nacional de apoiar a recandidatura dos autarcas que estão em funções - indigitou, no passado dia 8 de Outubrom Francisco Amaral para se voltar a candidatar. José Estevens critica a iniciativa política tomada por antecipação: “Os estatutos do PSD dizem que o processo de escolha dos candidatos passa pela concelhia”. Logo, avisa, “a distrital não pode subverter os estatutos”.