OCDE prevê desemprego acima de 10% até 2018

Redução deverá ser mais lenta do que nos dois últimos anos, antevê a OCDE.

A OCDE prevê que as taxas continuem a cair mas não ao ritmo de 2015 e 2016.
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A OCDE prevê que as taxas continuem a cair mas não ao ritmo de 2015 e 2016. Rita França

Depois da descida do desemprego nos últimos três anos, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) prevê que as taxas continuem a cair mas não ao ritmo de 2015 e 2016.

No relatório Economic Survey, publicado nesta segunda-feira, a instituição prevê que a taxa de desemprego se mantenha na casa dos dois dígitos pelo menos neste ano e no próximo, ou seja, ainda na casa dos 10%.

A perspectiva da OCDE é conhecida a dois dias se saber qual foi o valor da taxa de desemprego em 2016, média anual que o Instituto Nacional de Estatística (INE) publica na quarta-feira de manhã. A estimativa do quarto trimestre é divulgada nessa altura – e aí fica também a conhecer-se a estimativa anual.

No trimestre de Julho a Setembro, 10,5% da população activa estava desempregada. E a evolução mensal – cujos dados não são directamente comparáveis com os valores trimestrais, por terem metodologias estatísticas diferentes, desde logo um universo etário distinto – apontam para uma descida continuada do desemprego. Em Novembro, a taxa recuou para 10,5% e a estimativa provisória do INE é de uma nova descida, até aos 10,2%, com 519,5 mil pessoas desempregadas (e 4,58 milhões de cidadãos no mercado de trabalho).

Para 2016, a OCDE prevê que o desemprego ainda fique nos 11%, uma perspectiva melhor do que a do Governo, que nas projecções actualizadas em Outubro com o Orçamento do Estado apontava para um desemprego de 11,2% no ano passado.

A perspectiva da organização liderada por Ángel Gurría para este ano é de que o desemprego continue a recuar, descendo para 10,1% da população activa. Para 2018, porém, já não projecta uma descida, mas uma manutenção do desemprego nos mesmos 10,1%.

E se as taxas têm vindo a descer, ainda estão em “níveis demasiado elevados”, nota a OCDE, sublinhando que o desemprego de longa duração (12 meses ou mais) tem recuado menos do que a taxa global (era de 6,7% no terceiro trimestre do ano passado, depois de um pico acima dos 10% em 2013, quando o desemprego global chegou a superar os 16%).

Na perspectiva da OCDE, o que deverá justificar a queda do desemprego a uma velocidade “mais lenta do que nos últimos dois anos” é a combinação de “cenário de baixo crescimento, salário mínimo mais alto [nos 557 euros] e a manutenção de factores de rigidez no mercado de trabalho”.

O facto de o desemprego entre os jovens ainda abranger mais de um quarto da população dos 15 aos 24 anos é, para a OCDE, um sinal de que persistem “desafios significativos no mercado de trabalho”. E acrescenta: “O aumento do desemprego tem sido o principal motivo na base do aumento das desigualdades de rendimento que se verificaram na sequência da crise financeira”.