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Polícia acusa estudante universitário de seis homicídios em mesquita do Quebeque

Alexandre Bissonnette, de 27 anos, vai ser acusado por homicído de seis pessoas, e de tentativa de homicídio de outras cinco no ataque a uma mesquita da cidade canadiana.

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Reuters/MATHIEU BELANGER

As autoridades canadianas acusaram o estudante universitário Alexandre Bissonnette, o principal e único suspeito do ataque a uma mesquita na cidade canadiana Quebeque, de homicídio premeditado de seis pessoas. Além desta, o homem de 27 anos de idade enfrenta ainda uma acusação de tentativa de homicídio de cinco pessoas.

No tiroteio da noite deste domingo, morreram seis pessoas e outras 17 ficaram feridas, das quais cinco estão em estado crítico. O outro detido na sequência do tiroteio, Mohamed Khadir, é agora considerado uma testemunha, noticia a Reuters citando uma testemunha próxima à investigação.

As autoridades confirmaram a detenção de duas pessoas, sem revelar a identidade. No entanto, a Reuters diz que Bissonnette, franco-canadiano, é um estudante da Universidade Laval, situada junto ao Centro Cultural Islâmico da Cidade do Quebeque, local onde o suspeito abriu fogo sobre mais de 40 pessoas durante as orações de domingo à noite.

A polícia disse, numa conferência de imprensa, que um dos homens foi detido no local do ataque e que outro se entregou cerca de uma hora depois de as autoridades terem sido chamadas à mesquita. 

O Journal de Montreal publicou já um perfil do suspeito, identificado como Alexandre Bissonnette, feito a partir de informações dadas por pessoas próximas do alegado atirador. Um amigo, Éric Debroise, revela que Bissonnette se interessava muito por política e que no último mês não respondeu a telefonemas ou a mensagens no Facebook. Debroise diz que, depois do incidente no Quebeque, telefonou para a polícia a revelar os ideais "ultranacionalistas e de supremacia branca" do suspeito.

Durante a tarde, o porta-voz do primeiro-ministro canadiano revelou que Donald Trump ligou a Justin Trudeau para expressar condolências e oferecer qualquer assistência que seja necessária. Mais tarde o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, afirmou aos jornalistas que este ataque foi "uma lembrança terrível do por que devemos permanecer vigilantes, e de porquê o Presidente estar a dar passos para ser proactivo, em vez de reactivo, quando está em causa a segurança do nosso país".

Num comunicado em que “condena este ataque terrorista contra muçulmanos", Justin Trudeau diz que “as autoridades ainda estão a investigar” o ataque, mas lamenta desde já “esta violência sem sentido”.

“A diversidade é a nossa força e a tolerância religiosa é um valor querido para os canadianos”, diz ainda a nota emitida pelo chefe de Governo do Canadá. “Os muçulmanos-canadianos são uma parte importante do nosso tecido nacional e estes actos sem sentido não têm lugar nas nossas comunidades, cidades ou país. As autoridades vão proteger os direitos de todos os canadianos e fazer um esforço para deter os autores deste e de todos os actos de intolerância”, acrescenta o comunicado de Trudeau.

O presidente da mesquita, Mohamed Yangui, que não estava no local quando ocorreu o tiroteio, disse ter recebido várias chamadas de quem estava nas orações. “Porque está a acontecer isto? Isto é bárbaro”, perguntaram-lhe.

Este ataque, que ainda não foi reivindicado, surge numa altura em que o Canadá se prontificou a receber mais refugiados. Numa reacção ao decreto de Donald Trump que proíbe a entrada de cidadãos de sete países nos EUA, Justin Trudeau escreveu no Twitter uma mensagem de boas-vindas aos refugiados. “Aos que fogem à perseguição, ao terror e à guerra, os canadianos dão-vos as boas-vindas, independentemente da vossa religião. A diversidade é a nossa força #BemVindosaoCanadá.

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