Opinião

Gerir a interculturalidade

Arroios, com 79 nacionalidades, é um lugar desejado por todos e gerido para todos, sem exceções.

Quando o Dr. António Costa me convidou para me candidatar à Presidência da futura Junta de Freguesia de Arroios, estava longe de imaginar a riqueza que é gerir um pedaço de uma cidade. Reportando-me ao último relatório de pedidos de atestados de residência, novembro de 2016, estão nele representadas 79 nacionalidades, sendo que os cinco primeiros lugares do ranking são, primeiro e naturalmente, portugueses, depois nepaleses, brasileiros, bengalis e chineses.

As políticas de inclusão foram iniciadas com o programa “Volta ao Mundo em Arroios”, que foi a primeira expressão do que é dar a conhecer ao outro as diferenças, sempre com a atenção de o fazer em ambiente de festa e de partilha. Hoje, a percepção de Arroios, é a de um lugar de inclusão, de diferenças. E é com orgulho e satisfação que digo que essa
perceção instalada não é só em Portugal. Com o “Arroios Film Festival”, conseguimos levar a nossa mensagem de lugar inclusivo a mais de 175 países que participaram na 1.ª edição.

Mas todas as pessoas que aqui vivem ou trabalham querem a mesma coisa do seu lugar: que seja melhor do que aquilo que é. Assim, estabelecemos uma estratégia assente no que é a gestão funcional de um lugar, trabalhar para o seu desenvolvimento futuro e gerir o seu branding. E inclusão também é isto, a participação dos seus cidadãos e dos seus
stakeholders. E foi com este objetivo que criámos desde logo um instrumento fundamental na gestão de Arroios, que é a Comissão Social da Freguesia, onde estão representadas as diversas associações e clubes.

A gestão do branding de Arroios é um trabalho permanente e intenso, que tem tido os resultados mais inesperados e positivos que alguma vez pensámos. Desde logo, a subida exponencial do número de casais jovens a virem viver para este lugar, com filhos, a criarem as suas famílias, num território que sabem seguro e com um forte espírito de comunidade.
Inesperado, porque desde há dois anos assistimos a uma subida significativa das rendas das casas em Arroios. É o mercado a funcionar entre a procura e a oferta.

O espaço público também é um lugar desejado. Foi assim que inaugurámos nos primeiros meses de mandato um espaço dedicado ao “Dia Internacional da Língua Materna”, reconhecido pelas Nações Unidas e tão precioso para uma das maiores comunidades, a comunidade do Bangladesh. E, nos últimos dias, a inauguração da escultura-memorial em homenagem a Monsenhor José de Freitas, em frente à igreja de Arroios.

Arroios é um lugar desejado por todos e gerido para todos, sem exceções. Foi esta a nossa visão e é esta a realidade intercultural conseguida.