VRock levou o troféu dos prémios Playstation para o Porto

A realidade virtual alia-se à música no jogo português que saiu consagrado da 2.ª edição dos Prémios Playstation. VRock permite pisar o palco e assumir o papel de uma "estrela de rock".

Rogério Ribeiro, do estúdio Game Studio 78, posa com os dois galardões
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Rogério Ribeiro, do estúdio Game Studio 78, posa com os dois galardões DR

Já é conhecido o vencedor da segunda edição dos Prémios Playstation: VRock, dos estúdios Game Studio 78. O jogo de realidade virtual cujo objectivo é fazer parte de uma banda de rock arrecadou também o galardão de jogo mais inovador, na cerimónia de entrega dos prémios desta quinta-feira. Agora, os vencedores vão ter dez meses para desenvolver o seu protótipo e para o disponibilizar aos jogadores através das plataformas Playstation.

Quando o nome VRock foi anunciado por Liliana Laporte e Jorge Huguet, da Sony Ibéria, não houve nenhuma reacção imediata da parte da audiência. Só mais tarde, depois de voarem os confettis, é que um dos criadores de VRock admitiu ao público que “foi inesperado”.

“Foram quatro anos de muitos altos e baixos. Agora estamos cá em cima e esta sensação é muito poderosa”, resume ao PÚBLICO Rogério Ribeiro, fundador do estúdio portuense Gamestudio 78, que veio a Lisboa receber o prémio. E, numa conversa curta, percebe-se que receber este prémio não foi tão inesperado como o discurso de aceitação fazia prever: “Vou ser honesto, disse à minha equipa que vinha cá buscar a taça”.

O jogo, que foi duplamente galardoado – primeiro com o prémio de jogo mais inovador e de seguida, com o prémio de melhor jogo – distingue-se da sua competição directa por ser um jogo casual “tipo Guitar Hero, mas com uma jogabilidade diferente”, sintetiza Rogério Ribeiro. Este não é um jogo para os utilizadores “hardcore”, mas para jogar em família ou desafiar os amigos. 

A ideia partiu de um pedido de um cliente, que queria uma “experiência virtual” de um concerto. A única exigência do estúdio foi que, depois de concluído o pedido, pudessem pegar no trabalho para o aprimorar e tornar mais seu. “Por norma, não fazemos software para terceiros. Acreditamos que o que vai vingar é uma coisa nossa”. Daí surgiu o VRock, num revivalismo dos anos 1980, e com um nome que vai soar familiar aos jogadores de GTA Vice.

Para a directora-geral da Sony no Mediterrâneo, Liliana Laporte, o elemento diferenciador deste jogo é mesmo a capacidade de transportar o jogador para dentro da banda. “Foi esse passo adicional que conquistou o júri”, explica ao PÚBLICO. “Já não estou a brincar com um instrumento de plástico, estou a tomar uma parte activa na banda”.

A componente social ganha cada vez mais importância assim como a experiência inovadora, e, nesse sentido, o VRock parece reunir condições para o sucesso. “Temos muito talento em Portugal”, considera, “mas é importante que [esse talento] seja liderado por uma equipa que consiga suportar os altos e baixos – e vão haver muitos”, adverte Liliana Laporte, numa alusão ao discurso de aceitação do prémio de Rogério Ribeiro.

Ao todo, a edição de 2016 teve 50 candidaturas e dez finalistas. Os prémios, esses, eram apenas seis. Shutix, do Indot Game Studio, venceu o Prémio Imprensa; e Hellkeeper, do estúdio Baguedes arrecadou o prémio de Melhor Arte. O melhor jogo infantil foi para An Aztec Tale, do estúdio Cake Collective. Já o prémio para melhor utilização das redes Playstation pertence ao Spellcaster Studio pelo jogo Gateway.

Os vencedores do ano passado, Tiago Franco, Filipe Caseirito e Ricardo Flores, do estúdio Fun Punch, preparam-se para lançar o jogo Strikers Edge ainda este ano. Os prémios Playstation são uma iniciativa de apoio ao desenvolvimento de jogos, que desafia os jovens portugueses a apresentarem os seus projectos para a Playstation.