Tajani eleito presidente do Parlamento Europeu

Conservador italiano ganhou a corrida ao socialista Gianni Pittella.

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Tajani foi eleito à quarta volta EPA/PATRICK SEEGER

À quarta foi de vez e o italiano Antonio Tajani, do Partido Popular Europeu (PPE), foi eleito presidente do Parlamento Europeu. Obteve 351 votos contra 282 do seu adversário, o socialista Gianni Pittella.

Para este resultado foi determinante o apoio do grupo dos Conservadores e Reformistas Europeus (CRE). Na segunda volta disseram que apoiavam Tajani, mas a candidata do seu grupo, Helga Stevens, não desistiu e foi recolhendo mais votos do que os que faltavam ao candidato da PPE. Na terceira, disseram que afinal não apoiavam Tajani, porque o acordo feito entre o PPE e a Aliança dos Liberais e Democratas Europeus (ALDE), de Guy Verhofstadt, representava um regresso às políticas falhadas do passado" e a uma "abordagem centralizadora".

O grupo dos CRE inclui os tories do Reino Unido e é sabido que os conservadores britânicos não morrem de amores por Verhofstadt, que lidera a equipa de negociação do Parlamento Europeu com o Reino Unido para o "Brexit". E que não perde oportunidade de lembrar ao Reino Unido que não deve esperar facilidades por parte da União Europeia.

Mas antes da quarta volta, os CRE vieram, num golpe de teatro, anunciar nova mudança de posição, afirmando, num segundo comunicado, que nova ronda de conversações com o PPE tinha resultado num "conjunto claro de compromissos políticos" de Tajani que o tornavam credor de apoio.

Presidente cessante teve a ovação maior

Ainda os resultados não tinham sido comunicados e já Antonio Tajani era aplaudido ao entrar na sala para se dirigir ao seu lugar. Mas a maior ovação estava reservada a Martin Schulz, o socialista alemão que liderou o Parlamento Europeu durante os dois últimos mandatos, para os quais foi eleito sempre à primeira volta.

Schulz cedeu imediatamente o lugar a Tajani, a quem desejou sucesso no cargo.

No discurso de tomada de posse, Antonio Tajani, agradeceu aos eurodeputados que votaram nele e noutros candidatos, renovou o compromisso de ser o presidente de todos, agradeceu ao "amigo" e compatriota Gianni Pittella, dos socialistas europeus, que consigo disputou esta derradeira quarta volta, e a Martin Schulz, de quem disse ter sido "um vice-presidente leal".

Dedicou a vitória às vítimas dos terramotos em Itália do ano passado, às vítimas do terrorismo, aos sem-abrigo e aos sem emprego. "Amanhã começamos a trabalhar juntos e honrarei todas as promessas que fiz", disse.

O candidato da "escolha moral"

Com 63 anos, militante da Forza Itália, Antonio Tajani é licenciado em Direito pela Universidade La Sapienza, em Roma, e foi oficial da Força Aérea. Foi também jornalista, antes de entrar para a política. É deputado europeu desde 1994 e vice-presidente do PPE desde 2002. Entre 2008 e 2010 e 2010 e 2014 foi comissário europeu, primeiro com a pasta dos Transportes e depois da Economia e Empreendedorismo.

Orgulha-se de, durante este período, ter conseguido evitar a deslocação de uma fábrica de uma multinacional americana do País Basco, salvando largas centenas de empregos. Na campanha para a presidência do Parlamento Europeu também não deixou de recordar - fê-lo ainda esta manhã, no discurso final de três minutos dos candidatos que antecedeu a primeira volta - que recusou o subsídio de reintegração, quando deixou de ser comissário europeu. Eram 13 mil euros mensais durante três anos, um total de 468 mil euros, afirmou. Foi uma "escolha moral", resumiu o presidente eleito, que também promete ser porta-voz dos eurodeputados e não um "primeiro-ministro do parlamento" com agenda própria. E citou Voltaire, para ilustrar o respeito que lhe merecem as opiniões de todos os eurodeputados: "Posso não concordar com o que dizes, mas luto para que o possas dizer".