“Dificuldades socio-económicas dos agregados familiares dos estudantes mantêm-se”

Apesar do recuo na taxa de desemprego, o administrador dos Serviços de Acção Social da Universidade da Madeira alerta para as dificuldades dos alunos.

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O Administrador dos Serviços de Acção Social na Universidade da Madeira, Ricardo Gonçalves DR

A Universidade da Madeira (UM) tem pouco mais de 1100 alunos bolseiros mas é uma das universidades com mais alto número de estudantes apoiados face ao total de candidatos. O administrador dos seus Serviços de Acção Social, Ricardo Gonçalves, explica porquê.

A UM é uma das instituições com mais alto número de alunos com bolsa face ao total de candidatos (82%). O que explica este facto?

É um número em linha com o que tem vindo a suceder-se nos últimos anos. Esta taxa reflecte a realidade socio-económica dos agregados familiares dos nossos estudantes candidatos, que na grande maioria são oriundos da Região Autónoma da Madeira que, como é sabido, apresenta nos últimos tempos a mais alta taxa de desemprego do país.

Como avalia o facto de o número de candidatos ter subido, em termos nacionais, mais de 4% até ao momento?

No nosso caso, verifica-se um crescimento de 0,5% do número de candidatos à bolsa de estudo do corrente ano letivo, face aos registos do ano passado, o que não é expressivo. Entendemos que o normal será a estabilização dos números, considerando de igual forma que o número de estudantes inscritos que são candidatáveis a este apoio se encontra também estabilizado. As dificuldades socio-económicas dos agregados familiares dos nossos estudantes mantêm-se, apesar de ter havido um recuo da taxa de desemprego.

Depois das alterações introduzidas há dois anos o sistema de acção social está mais justo ou seriam ainda necessárias alterações?

A estabilidade do regulamento permite a todos os intervenientes um melhor conhecimento e relacionamento com o Estado, o que na nossa perspetiva é positivo. Não obstante, a reintrodução no cálculo do valor da bolsa de estudo de uma majoração para os candidatos inseridos em agregados familiares unipessoais e inferiores a três pessoas permitiria uma maior justiça. Na nossa perspetiva, seria de particular importância. Por outro lado, no que se refere a estudantes oriundos da Madeira a frequentar estabelecimentos de ensino superior, somos da opinião que deverá ser excepcionado do cálculo do rendimento a bolsa atribuída pelo governo regional. Esse é um apoio que se destina a promover uma descriminação positiva a quem é reconhecido o direito de acesso ao ensino superior, numa perspetiva de complementaridade ao rendimento da família e não podemos esquecer que a descontinuidade territorial tem um ónus acrescido para as famílias.

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