A "Rua do Brexit" começa e acaba no mesmo sítio

Cidade francesa liderada pela extrema-direita quis homenagear o voto dos britânicos, mas a escolha revelou-se irónica.

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A "Rua do Brexit" começa e acaba na rua Robert Schuman Google Earth

Na cidade francesa de Beaucaire, há agora uma rua com nome peculiar – "Rua do Brexit". A escolha nasceu da vontade do autarca do município, Julien Sanchez, de homenagear o voto dos britânicos, que decidiram pela saída do Reino Unido da União Europeia (UE).

Sanchez, membro do partido de extrema-direita Frente Nacional, liderado por Marine Le Pen, decidiu, assim, transformar uma rua sem nome numa homenagem ao "Brexit". Situada na zona industrial da cidade, a "Rua do Brexit" serve “para honrar a escolha soberana do povo britânico”, escreveu o autarca no Twitter.

A peculiar decisão gerou críticas e até algumas piadas. Tudo porque a rua em questão é uma via circular com cerca de 350 metros, que começa e acaba no mesmo local: ironicamente, começa e acaba na rua Robert Schuman, que homenageia o primeiro presidente do Parlamento Europeu e um dos inspiradores da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, que daria depois lugar à Comunidade Económica Europeia.

Após este "baptismo", surgiram logo comentários nas redes sociais, brincando com a situação, até porque bem perto destas ruas está ainda a Avenida Jean Monet, que homenageia outro dos grandes inspiradores do projecto europeu.

A decisão de dar este nome à rua foi a votos num Conselho Municipal, onde 23 eleitos votaram a favor da mudança e nove contra. Julien Sanchez publicou na rede social Twitter o resultado da votação, orgulhando-se da decisão da sua localidade.

“A rua é numa zona industrial e não vai afectar a vida quotidiana dos residentes de Beaucaire”, explicou o autarca à Radio France Bleu, citado pelo Guardian. Sanchez acrescentou ainda que esta escolha “se justifica para reequilibrar as coisas”, visto que há muitas ruas com nomes relacionados com a União Europeia.

Julien Sanchez já esteve envolvido em alguns processos legais, tendo sido acusado de discriminação. Em 2015, o autarca ordenou que as lojas de conveniência locais fechassem às 23h durante o período do Ramadão, o que causou incómodo e dificuldades de abastecimento a muitos muçulmanos.