Candidata autárquica perde eleições polémicas em IPSS de Matosinhos

Luísa Salgueiro integrou a lista derrotada como suplente à Associação de Socorros Mútuos de S. Mamede de Infesta. A polícia teve de intervir para serenar os ânimos dos sócios

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Luísa Salgueiro foi escolhida pela distrital do PS-Porto para liderar a lista à Câmara de Matosinhos Nelson Garrido

O primeiro acto eleitoral em que Luísa Salgueiro participou já na qualidade de candidata do PS à Câmara de Matosinhos, não podia ser mais atribulado, tendo terminado com a presença da polícia e com a mudança das fechaduras das instalações da Associação de Socorros Mútuos de S. Mamede de Infesta (ASMSMI).

As eleições para os novos órgãos sociais da Associação, às quais se candidataram duas listas, a A, que ganhou folgadamente, e a B, que perdeu, decorreram durante a tarde de sábado, mas a assembleia eleitoral só terminou depois das 04h00 da manhã de domingo, altura em que a PSP abandonou as instalações.

Na corrida para a nova direcção estava a lista A, encabeçada por Correia Martins, presidente da direcção dos Bombeiros Voluntários de Rio Tinto, e a lista B, que recandidatou Áureo de Almeida até agora presidente do Conselho de Administração da ASMSMI.

A deputada Luísa Salgueiro, natural de S. Mamede de Infesta, e Ângela Miranda, coordenadora da secção do PS daquela freguesia, faziam parte da lista derrotada como suplentes. Mas quando a sala se começou a agitar, Luísa Salgueiro e Ângela Miranda já tinham abandonado a sede.

O presidente da assembleia geral cessante, Jorge Silva,  disse ao PÚBLICO que pouco depois de ter anunciado os resultados, Pedro Tabuada, da anterior direcção e que fazia parte da lista derrotada, tentou impugnar as eleições “sem qualquer tipo de fundamento”, ao apresentar dois documentos à mesa. Pedro Tabuada pôs em causa a forma como um membro da lista A cessou a sua prestação de serviço na Associação onde era médico para se poder candidatar às eleições. A outra questão teve a ver com os votos por correspondência (13) que acabaram por não ser contabilizados.

“O objectivo de toda esta perturbação e criação de incidentes era evitar a conclusão dos trabalhos”, disse um dos sócios aos PÚBLICO, afirmando que estes procedimentos indignaram muitos dos sócios afectos à lista vencedora já que antes do início do acto eleitoral foi perguntado às duas candidaturas se havia alguma reclamação a fazer e ninguém se pronunciou.

Relatos feitos ao PÚBLICO, revelam que a intervenção de Tabuada foi o rastilho, gerando-se, de imediato, um enorme burburinho na sala, a que seguiram insultos e empurrões entre os elementos das duas candidaturas.

Na sequência de toda esta agitação, o presidente da assembleia interrompeu os trabalhos e decide chamar a polícia uma vez que os ânimos estavam muito exaltados. Faltava um quarto de hora para a meia-noite quando a PSP chegou à sede da Associação de Socorros Mútuos de S. Mamede de Infesta para evitar estragos.

Perante a agitação, os apoiantes de Correia Martins mobilizaram-se, apelando a que aqueles que já tinham saído regressassem. “Esta mobilização só aconteceu porque havia uma grande insatisfação por parte dos funcionários da instituição que se estendia também aos sócios, que pediam mudança”, declarou um dos sócios da instituição.

Pela uma da madrugada havia pessoas a entrar nas instalações da ASMSMI. Nessa altura, já Áureo Almeida e Pedro Tabuada da anterior direcção, tinham abandonado a sala.

Os trabalhos haviam de recomeçar por volta da 1h30 com os sócios a pedir que fosse dada posse à nova direcção “para evitar que houvesse qualquer truque de bastidores” e uma hora depois a nova direcção, eleita por 224 votos, estava empossada. E a sua primeira preocupação foi chamar um serralheiro para mudar as fechaduras de todas as portas exteriores da sede da instituição. De imediato, foi contactada uma empresa de alarmes para substituir. Eram 4h30 quando o filme terminou.