Medalha gera polémica entre PSD e PS em Gaia

Concelhia social-democrata de Gaia diz que “fica claro” que Eduardo Vitor Rodrigues “não tem moral para voltar a falar da dívida do município como obstáculo à sua gestão”, porque o ex-vice-presidente “é identificado como um dos principais responsáveis pela dívida municipal”

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Luís Filipe Menezes e Marco António Costa trabalharam juntos na câmara de Gaia Fernando Veludo

O líder do PSD-Gaia, Cancela Moura, acusa o presidente da câmara de “contradição insanável”, porque “ao mesmo tempo que diaboliza e critica o estado de pré-falência” a que Luís Filipe Menezes conduziu a autarquia, “atribuiu a medalha de mérito a Marco António Costa, estranhamente identificado como um dos principais responsáveis pela dívida municipal”.

“A proclamação do presidente da câmara [Eduardo Vitor Rodrigues de reduzir o passivo em 2017] constitui, aliás, uma contradição insanável porque, ao mesmo tempo que diaboliza e critica o estado de pré-falência em que a gestão anterior deixou o município, elogia publica e efusivamente (e muito bem, acrescentamos nós) o nosso companheiro Marco António Costa, vice-presidente da Câmara de Gaia, que teve a responsabilidade do pelouro financeiro entre 2005 e 2011”, lê-se num comunicado do PSD.

Cancela Moura, que pode vir a disputar a Câmara de Gaia com o actual presidente, pega no argumento de Eduardo Vítor Rodrigues, que presidiu à entrega da medalha de mérito profissional a Marco António Costa, em Julho deste ano, para dizer que a medalha deveria ter sido entregue a Menezes. “Na verdade se quisesse continuar a tradição, tinha atribuído a distinção a quem o precedeu no cargo, no caso, Luis Filipe Menezes, tal como este fez com o seu antecessor” Heitor Carvalheiras.

“Fica, portanto, claro que o presidente da câmara não tem moral para voltar a falar da dívida do município como obstáculo à sua gestão, nem tão pouco tem legitimidade para argumentar com a mesma, quando os ventos não lhe correm de feição”, acrescenta o comunicado, divulgado na passada quarta-feira.

Já quanto à redução das despesas da autarquia para efectuada para  2017, a concelhia  diz que “é totalmente desprovida de qualquer crédito” e frisa que as previsões de Eduardo Vitor Rodrigues só podem ser entendidas “como mais uma manobra de propaganda em ano pré-eleitoral”.

“Não acreditamos que o pendor eleitoralista que transparece das recentes deliberações municipais, permita que seja possível, em 2017, reduzir a despesa que o PS não se coibiu de aumentar em todos os anos anteriores:2014, 2015 e 2016”, lê-se no comunicado do PSD de Gaia, que refere que o “presidente da câmara aproveitou a época natalícia para reincidir na propaganda sobre os números da dívida”.

Eduardo Vítor Rodrigues declarou há dias que “será possível no próximo ano não ultrapassar os 154 milhões de euros em passivo” que comparam com 240 milhões de 2013. "Passamos para o verde, no limite ao endividamento", explicou, acrescentando que o limite legal é igual a uma vez e meia o seu orçamento para 2017