Parlamento da Colômbia ratifica acordo de paz com as FARC

Texto que põe fim à luta armada aprovada sem votos contra. Os deputados do partido do ex-Presidente Uribe abandonaram o hemiciclo no momento da votação.

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Manifestação a favor do acordo em Bogotá AFP/GUILLERMO LEGARIA
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O acordo prevê o desarmamento das FARC AFP/GUILLERMO LEGARIA
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Manifestação a favor da paz AFP/GUILLERMO LEGARIA
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A manifestação aconteceu perto do Parlamento AFP/GUILLERMO LEGARIA
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Populares em apoio do acordo AFP/GUILLERMO LEGARIA
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Também houve uma manifestação contra o acordo AFP/GUILLERMO LEGARIA
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A votação no Parlamento AFP/GUILLERMO LEGARIA

Depois do cessar-fogo e da assinatura do segundo acordo entre o Governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), o Parlamento colombiano validou na quarta-feira o entendimento histórico entre as duas partes, levando a votos na Câmara dos Representantes o texto que põe fim a uma guerra que durou mais de 50 anos.

Primeiro, o documento foi votado no Senado, na terça-feira, seguindo-se um dia depois a ratificação na câmara baixa. Depois da rejeição popular de um primeiro acordo no referendo de início de Outubro, o texto final do segundo acordo que agora foi votado no Parlamento acabou por incluir propostas da oposição ao Presidente Juan Manuel Santos.

O último passo que faltava dar aconteceu dias depois da assinatura formal do acordo negociado entre o Presidente e o líder das FARC, Rodrigo Londoño (conhecido como "Timochenko"). Entre vivas e aplausos, o documento foi aprovado na Câmara dos Representantes por unanimidade entre os 130 deputados presentes (são 166 ao todo). O Presidente tem maioria nas duas câmaras parlamentares e, no Senado, foi respaldado na véspera com 75 votos a favor e nenhum contra.

No momento da votação desta quarta-feira em Bogotá, saíram do hemiciclo os deputados do principal partido da oposição, liderada pelo ex-chefe de Estado Álvaro Uribe (Centro Democrático), partidário do “não” que venceu no referendo ao primeiro acordo. O mesmo já acontecera na votação do Senado, com o argumento de que a opinião expressa pelo voto popular não podia ser substituída.

O acordo no sentido de um compromisso para o fim de um conflito responsável por mais de 260 mil mortos e seis milhões de desalojados prevê o desarmamento da guerrilha marxista e a sua conversão numa organização política legítima. Juan Manuel Santos, distinguido com o prémio Nobel da Paz deste ano dias depois do referendo, saudou a ratificação com um “agradecimento ao Congresso pelo histórico apoio à esperança de paz dos colombianos”.

Populares a favor e contra o acordo manifestaram-se perto do Parlamento, os primeiros trazendo para a rua balões brancos e bandeiras da Colômbia, os segundos com cartazes contra o Presidente e os termos do entendimento.

A primeira versão do acordo, assinada solenemente a 26 de Setembro na cidade de Cartagena das Índias, e rejeitada nas urnas a 2 de Outubro por uma maioria de 50,21% (numa votação com uma abstenção de 62%), daria lugar a um novo acordo revisto assinado a 24 de Novembro em Bogotá. Para assinalar a paz, foi usada nas duas cerimónias uma caneta feita a partir de uma antiga bala.