Bons resultados a Matemática mostram que houve "políticas eficazes"

O secretário de Estado da Educação, João Costa, considerou que o desempenho dos alunos do 4.º ano no estudo internacional TIMSS vem reforçar as opções assumidas pela actual tutela.

"Não podemos ficar felizes quando o conhecimento não é aplicado", disse João Costa
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"Não podemos ficar felizes quando o conhecimento não é aplicado", disse João Costa Fabio Augusto

O secretário de Estado da Educação, João Costa, considerou nesta terça-feira que a “subida contínua” dos resultados dos alunos do 4.º ano a Matemática, que se regista desde 1995, comprova a “eficácia das políticas” que têm sido seguidas. 

Portugal foi o país que registou uma maior evolução nos testes internacionais TIMSS (Trends in International Mathematics and Science Study), que se realizam, desde 1995, de quatro em quatro anos. Na última edição realizada em 2015, e cujos resultados foram divulgados nesta terça-feira, a média dos alunos portugueses valeu-lhes um 13.º lugar num conjunto de 49 países, ficando à frente de países como a Finlândia ou a Suécia.

Falando durante a apresentação dos resultados do TIMSS, João Costa destacou o Plano de Acção para a Matemática, promovido pela ex-ministra socialista Maria de Lurdes Rodrigues, e que se centrou na formação de professores. Em declarações ao PÚBLICO, o governante admitiu que esta progressão também não é alheia à aposta no ensino da Matemática do anterior ministro Nuno Crato. “É uma evolução que deriva de um resultado compósito e que se deve ao investimento que Portugal tem feito na Matemática”, disse.

Apesar dos bons resultados obtidos, João Costa manifestou preocupação pela “assimetria entre os resultados obtidos na dimensão conhecimento e os conseguidos na aplicação e raciocínio”. “Não podemos ficar felizes quando o conhecimento não é aplicado”, afirmou. Para o secretário de Estado, esta situação só poderá ser ultrapassada com “metodologias de ensino que consomem tempo e que não são compatíveis com listas infinitas de conteúdos”. “A obesidade curricular não permite o desenvolvimento destas capacidades mais elevadas e por isso é necessário tomar opções”, frisou.  

No conjunto, afirmou, tanto a subida a Matemática, como a descida dos resultados a Ciências, vêm “reforçar” as apostas da actual tutela seja na flexibilização curricular que está a ser preparada com vista à redução dos programas, como na avaliação externa a outras disciplinas para além do Português e da Matemática. “Temos de pensar se não existe uma correlação entre o estreitamento curricular [promovido por Nuno Crato] e a descida dos resultados a Ciências”, disse ao PÚBLICO.