Torne-se perito

Recuperação de escultura “é possível”, mas obriga a “equipa multidisciplinar”

Acidente que no domingo conduziu à queda de uma escultura do século XVIII no Museu de Arte Antiga explicado em comunicado.

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Foi através de um comunicado conjunto que acaba de chegar às redacções que o Museu Nacional de Arte Antiga e a Direcção-Geral do Património Cultural, o organismo que a tutela, garantiram que a recuperação da escultura tardo-barroca acidentalmente derrubada no domingo “é possível mas exigirá ao museu a constituição de uma equipa multidisciplinar para proceder à correcta intervenção”.  

No mesmo documento de quatro parágrafos, as duas entidades esclarecem que a peça em “madeira de zimbro, com olhos de vidro, dourada e policromada”, executada em Lisboa entre 1765 e 1790, caiu da estrutura em que se encontrava – “um plinto protegido em todo o perímetro por um estrado” - devido à “forte colisão de um visitante que, caminhando de costas, fotografava outra obra em exposição na mesma sala”.

Em consequência da queda, soltaram-se as asas do Arcanjo e as plumas que servem de remate do capacete militar, elementos que são encaixados, continua o comunicado. “Na análise física e macroscópica registam-se fracturas, rupturas, descolamentos e perdas pontuais da camada de acabamento policromo, nomeadamente na asa esquerda, plumas, braço direito, dedo indicador direito, parte traseira e ponta do manto”, precisa o documento, elaborado depois de uma das conservadoras de escultura e das técnicas de restauro do museu terem analisado a obra ao longo desta segunda-feira.

Em conversa com o PÚBLICO já esta tarde, o ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, disse que a equipa multidisciplinar que fará o restauro deverá incluir técnicos do MNAA, mas também de fora do museu.

Nuno Miguel Rodrigues, o visitante do Museu Nacional de Arte Antiga que fotografou a escultura caída no chão do terceiro piso e revelou o acidente através do Facebook, diz que nunca se tinha visto numa situação como a de domingo e que espera não voltar a ver-se. “Estava a sair da sala e ouvi um estrondo. Só podia ser uma peça a cair… Voltei para trás e vi a estátua no chão e um senhor consternado com o acidente. Como é que uma pessoa fica depois de estragar uma peça com centenas de anos num museu? É complicado.”

Ao lado do turista brasileiro, relata Nuno Miguel Rodrigues, estava um segurança e, entretanto, chegaram mais dois. “Havia vigilantes na sala na altura em que aquilo aconteceu”, conta este livreiro de 45 anos, que não sabe precisar quantos. “Ficou tudo incrédulo com o que se tinha passado e um grande silêncio.” Na sala, recorda, estariam seis de pessoas.

Não ficou muito mais tempo no museu e não discutiu com as pessoas presentes a situação que levou o turista a cair e a derrubar a peça. Tudo o que sabe, leu mais tarde na imprensa, é que esse visitante estaria a tirar fotografias e não terá visto a base que o fez tropeçar.

Com Isabel Salema