Lisboa está preparada? A promessa é essa: esta semana não há caos

Há trânsito condicionado, mas com reforço dos transportes públicos. E promessa de mais segurança e mais Internet. A Web Summit vai trazer mais caos um uma semana de paz?

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No total, haverá 53 mil participantes Fábio Augusto

Quando a Web Summit estava de saída de Dublin, Paddy Cosgrave, CEO da cimeira, expôs os requisitos para o evento funcionar em pleno: um plano para os transportes públicos, gestão do fluxo de tráfego, wi-fi e hotéis. Se por um lado, a cimeira apanha um período de desafogo na hotelaria e na restauração, por outro, a Web Summit cai em Lisboa num momento em que os utilizadores fazem fortes críticas ao funcionamento dos transportes públicos da cidade. Está Lisboa preparada para receber mais 50 mil pessoas? A autarquia, os transportes, a hotelaria e a restauração dizem que sim.

Sem adiantar números relativos ao contingente policial, o Comando Metropolitano da PSP de Lisboa garante que o reforço será visível. Tendo em vista a prevenção, vão ser mobilizados operacionais das equipas de proximidade, trânsito, prevenção criminal, intervenção rápida, de prevenção e reacção imediata, Unidade Especial de Polícia e Polícia Municipal.
Pela cidade, vão estar também agentes à paisana, em especial no Parque das Nações. Local onde estarão em permanência quatro ambulâncias.

Até ao final do evento, a circulação também sofre alterações, sentidas já no sábado: o trânsito está cortado na Rua do Bojador, entre a rotunda da Lágrima e a Alameda dos Oceanos, e na Avenida do Atlântico (zona lateral da FIL). Em toda a zona envolvente do Parque das Nações, o trânsito é controlado.
A PSP lembra que alguns eventos decorrem noutros pontos da cidade e "poderão provocar congestionamento à circulação, pelo que serão sempre acompanhados por equipas da PSP."

Lisboa têm experiência como anfitriã de grandes eventos e dá, com a Web Summit, mais um passo no seu posicionamento estratégico na Europa. É, pelo menos, como a Câmara de Lisboa vê a cimeira: a cidade esteve "à altura" da organização de eventos como o Euro 2004, a final da Liga dos Campeões ou a Volvo Ocean Race e agora tem a oportunidade de "se afirmar como um extraordinário Hub criativo, tecnológico e inovador, criando condições para mais oportunidades de emprego." E se a dificuldade de acesso à internet foi uma das falhas apontadas na Web Summit 2015, em Dublin, em Lisboa nada o faz prever: há uma nova rede de Wi Fi na Praça do Município, junto ao MEO Arena e nos locais onde decorrem as Night Summit, entre os quais o Bairro Alto e Cais do Sodré.

Transportes: até as bilheteiras se reforçam

Para receber a Web Summit, Lisboa levou a melhor sobre Londres, que possui a mais antiga e mais extensa rede de metro do mundo, e Amesterdão, conhecida pela excelência na mobilidade urbana e na vanguarda da corrida às cidades inteligentes.
Para quem seguir o conselho da PSP de privilegiar o uso de transportes públicos, durante a próxima semana, haverá carreiras nocturnas na Carris e mais carruagens no metro. As carreiras 736 e 728 da Carris vão funcionar, após o último autocarro habitual, até às 5h. As carreiras vão partir de 15 em 15 minutos do Cais do Sodré para o Campo Grande (736) e do Oriente para o Cais do Sodré (728).

Também o metro estará a circular toda a noite com seis carruagens. Exceptua-se a linha verde, que se mantém com três. Quanto ao tempo de espera, a Transportes de Lisboa promete ajustar a frequência “aos padrões de mobilidade” que forem identificados ao longo da semana. Para já não está, por isso, prevista uma diminuição do intervalo entre os veículos.

O reforço vai também para a compra de bilhetes. Está à venda, por 25 euros, o passe especial Web Summit, válido para uso ilimitado do metro, autocarros e eléctricos da Carris, elevadores e comboios da CP na cidade de Lisboa e nas linhas de Sintra e Cascais. Disponível a partir deste domingo até 13 de Novembro, o passe pode ser adquirido no Aeroporto Humberto Delgado e na FIL. Nas máquinas de venda automática do Metro não haverá problemas com o pagamento com cartões internacionais, garantiu a Transportes de Lisboa, e haverá cartões Viva Viagem nas “principais estações".

Também os taxistas prevêem quatro dias de muito trabalho. A Cooptáxis, que agrega 2.400 profissionais e 1.200 viaturas em Lisboa, terá balcões em vários locais do Parque das Nações para articular os pedidos com os táxis. A autarquia ressalva a existência de uma praça de táxis temporária em frente ao Parque das Nações, "com lugar para várias dezenas de viaturas."
Por sua vez, a plataforma de transporte Cabify terá descontos para quem viajar num raio de cerca de 250 metros do MEO Arena. A conta pode ser reduzida em 15%, no caso de ter uma conta privada, e de 25% para contas associadas a empresas. Isto para viagens até 50 euros. Já a Uber aproveitou o evento para lançar, em Lisboa, o serviço de viagens partilhadas uberPOOL, onde quem aceitar partilhar o carro com outro passageiro. O serviço está disponível até 13 de Novembro e pode ter um desconto na ordem dos 25% em relação ao serviço uberX.

Hotéis e restaurantes: cuidado com os preços

A média de preços nos mais de 2 mil hotéis lisboetas registados na plataforma de comparação hoteleira Trivago escalou. De 7 a 10 de Novembro, uma noite num hotel em Lisboa custa em média 198 euros. Ou seja, quase 70% mais do que na semana anterior, concluiu um estudo de variação dos preços dos hotéis da cidade. A noite mais cara, de quarta para quinta-feira, custa em média 203 euros.

Mesmo assim, a Associação de Hotelaria de Portugal (AHT) admite que os preços “vão sempre aumentar”, mas “nada por aí além”. De acordo com a presidente, Cristina Siza Vieira, os preços vão ajustar-se, “como é normal, à grande procura, mas Lisboa tem muita oferta e muitas outras formas de alojamento”. Nos hotéis de 2 a 5 estrelas da cidade, a AHT espera uma ocupação próxima dos 90%, de 7 a 10 de Novembro. Ja segundo a Câmara de Lisboa, a ocupação "acima dos 90%" regista-se, não só durante a semana, como nos fins-de-semana anterior e seguinte.

Veremos com certeza alguns preços astronómicos por noite, admite Cristina Siza Vieira, mas, em média, os preços nos referidos hotéis não devem ser muito superiores a 163 euros, o preço médio apontado numa sondagem feita pela AHT a 28 de Setembro. A mesma sondagem previa que a ocupação nos hotéis da Área Metropolitana de Lisboa tivesse próxima dos 80%, com os quartos a rondarem os 150 euros por noite durante os quatro dias da Web Summit.

A cimeira realiza-se em plena época baixa o que requer que os hotéis entrem “num pico de produção” extraordinário, um “esforço que é completamente acomodável para a hotelaria”, acredita Siza Vieira. Há horários mais alargados para check-in, contratados trabalhadores temporários e os hotéis vêm-se adaptados ao consumo. Também os bares, salas de reuniões e de visitas vão ter um uso fora do comum para os encontros entre empreendedores, investigadores e empresários. E os hotéis adaptam-se a esta “nova forma de estarem envolvidos com a cidade”? “Já estamos habituados”, assegurou. Dada a “muita experiência” da hotelaria lisboeta, “as espectativas são muito elevadas”, ressalvou a presidente da AHT.

Também José Manuel Esteves, director-geral da Associação de Hotelaria, Restaurantes e Similares de Portugal (AHRESP), assegurou que tanto a hotelaria como a restauração lisboetas não têm “nada a recear”. “Estamos muito organizados, seguros e temos condições para que a Web Summit permaneça em Portugal para sempre”, garantiu, salientando a ajuda dada pela aplicação da Web Summit que “permitirá aos congressistas encontrar alternativas personalizadas” de restaurantes e hotéis.

Apesar do Reino Unido, Irlanda, Alemanha e Estados Unidos escabeçarem a lista de nacionalidades mais representadas na Web Summit, na hotelaria são os franceses, espanhóis e portugueses os principais clientes. O que reflecte a procura de outras formas de alojamento ou pode significar uma corrida aos hotéis à última hora, apontou Cristina Siza Vieira. Na quarta-feira, eram 15 mil os hóspedes esperados pela plataforma de alojamento local Airbnb para a semana de 7 a 13. O que se traduz em mais de 2,8 milhões de euros para quem aluga aos congressistas, estima a empresa, segundo dados enviados aos jornalistas.

Também no Centro Comercial Vasco da Gama haverá um aumento das equipas de limpeza nos dias do evento. Reforço habitual em dias de grandes eventos no Meo Arena, afirmou fonte da administração do centro comercial.