FBI já tem luz verde para investigar novos e-mails de Clinton

Mensagens encontradas num computador de Anthony Weiner, envolvido num novo escândalo sexual, vão ser juntadas à investigação ao servidor de e-mails de Hillary Clinton.

Foto
Hillary Clinton enfrenta uma nova crise na campanha a uma semana das eleições presidenciais. LUCY NICHOLSON/REUTERS

A equipa do FBI que conduziu um inquérito ao recurso de Hillary Clinton a um servidor privado para gerir e-mails classificados obteve este domingo um mandado para investigar as mensagens recentemente encontradas num computador utilizado pelo antigo congressista democrata Anthony Weiner, marido de Huma Abedin, assessora da candidata à Casa Branca. A informação foi avançada pela ABC News e pela NBC.

O computador em causa tinha sido apreendido numa outra investigação relacionada com as suspeitas de que Weiner terá enviado mensagens sexualmente explícitas a uma adolescente de 15 anos. No âmbito desse caso foram encontrados novos e-mails potencialmente relevantes para a investigação que tem como alvo Clinton, como anunciara na sexta-feira o director do FBI James Comey. A agência não tinha até agora um mandado judicial para analisar os e-mails, cujo conteúdo e autoria são desconhecidos.

Weiner, cuja carreira política foi destruída por sucessivos escândalos sexuais, encontra-se actualmente separado de Huma Abedin.

A revelação de sexta-feira teve um enorme impacto na campanha presidencial norte-americana, com o candidato republicano Donald Trump a congratular-se com a possível reabertura do processo contra a adversária. “Houve um grave desvio do curso da Justiça que o povo americano percebeu completamente e que toda a gente espera que seja agora corrigido”, disse o milionário nova-iorquino em relação à anterior decisão de suspender o inquérito.

Por seu turno, o campo criticou duramente a decisão de Comey de enviar uma carta ao Congresso a dar conta dos novos desenvolvimentos no processo, quebrando a tradição do FBI de não se pronunciar sobre investigações politicamente sensíveis em plena campanha eleitoral. Os norte-americanos elegem o sucessor de Barack Obama a 8 de Novembro. As sondagens continuam a dar vantagem a Clinton, mas o caso poderá erodir a distância em relação a Trump.

Este domingo, o líder democrata no Senado, Harry Reid, acusou o director do FBI de ter “dois pesos e duas medidas” ao reter “informações explosivas” sobre supostas ligações entre a campanha de Trump e o Governo da Rússia. Reid admite que Comey poderá ter “violado a lei” eleitoral ao gerir informação sensível de forma “selectiva”.