Pedro Sánchez vota "não" a Rajoy, ao lado da Catalunha

O ex-secretário-geral do PSOE continua a rejeitar a investidura de um novo Governo conservador.

Pedro Sánchez não falou na sessão parlamentar desta quarta-feira
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Pedro Sánchez não falou na sessão parlamentar desta quarta-feira AFP/JAVIER SORIANO

O ex-secretário-geral do PSOE, Pedro Sánchez, informou que na quinta-feira vai estar do mesmo lado dos deputados socialistas catalães e votar “não” à investidura de Mariano Rajoy como chefe do Governo de Espanha. Mas, numa curta declaração à saída do Congresso, deixou em aberto a possibilidade de, no sábado, na votação decisiva, seguir a disciplina de voto imposta pelo partido e abster-se. “Sábado será outro dia”, afirmou.

O ex-líder socialista, forçado a demitir-se na sequência do impasse político que atirava o país para a sua terceira eleição em dez meses, foi a ausência notória na reunião convocada pela comissão de gestão que está assegurar a condução do partido até à eleição de um novo secretário-geral com a bancada parlamentar do PSOE.

O encontro foi marcado para reforçar, a todos os deputados, que “a resolução adoptada pelo comité federal é um mandato expresso sobre o sentido de voto na sessão de investidura, tanto na primeira como na segunda votação” – como dizia, de resto, uma carta enviada pelo porta-voz socialista no Congresso, Antonio Hernando, numa primeira tentativa de impor a disciplina de voto aos dissidentes.

“Amanhã votarei 'não', ao lado dos meus companheiros e companheiras”, escreveu Sánchez no Twitter, na primeira manifestação pública do seu sentido de voto. A mensagem confirmava a sua coerência com a doutrina do “não é não” que lhe custou a liderança, mas também sugeria que os restantes 15 deputados que reclamaram o direito de votar contra o novo Governo do PP (entre os quais os sete socialistas catalães) tencionam romper a disciplina de voto – a tensão dentro do partido é indisfarçável.

Sánchez recusou, no entanto, esclarecer o que fará na votação decisiva de sábado. O El Mundo cita fontes próximas do ex-líder que garantem que o seu voto será na mesma “não” – e que será o seu último voto antes de se demitir do Congresso.