"Desobedeceremos", dizem socialistas catalães

“Estaremos dispostos a suportar as consequências", disse o líder do PSC, que mantém o não a Rajoy na votação da investidura.

Foto
Miquel Iceta Reutes

Miquel Iceta, primeiro secretário do Partido Socialista da Catalunha (PSC), declarou ontem que os seus deputados não respeitarão a disciplina de voto na segunda votação da investidura de Mariano Rajoy. A decisão será hoje confirmada pelo seu “conselho nacional”. Afirmou Iceta: “Desobedeceremos e estaremos dispostos a suportar as consequências.” Não é uma surpresa. Os socialistas catalães defenderam incondicionalmente o “não é não” de Pedro Sánchez.

Alguns dirigentes do PSOE evocaram a hipótese de rever as relações com o PSC, que goza de um estatuto de maior autonomia que as federações. Argumentam que o PSC os faz perder votos em Espanha e na própria Catalunha. Iceta sugere a adopção do modelo dos democratas-cristãos alemães: a CSU da Baviera, aliada da CDU de Merkel, fazendo parte do mesmo grupo parlamentar, tem estatutariamente o direito de definir o seu voto dos seus deputados no Bundestag. A escolha catalã deve-se a razões simples: a ascensão do soberanismo e as execráveis relações entre Rajoy e o mundo político catalão. Foi até há poucos anos uma das mais influentes federações do PSOE mas está hoje em forte declínio eleitoral.

O confronto entre as teses da “abstenção” e do “não” assenta mais em razões regionais do que ideológicas. A demissão de Sánchez foi impulsionada pelas maiores federações: Andaluzia, Castela-Mancha, Astúrias, Extremadura e Aragão. A Comunidade Valenciana dividiu-se, embora o seu presidente, Ximo Puig, tenha tido um activo papel na ofensiva contra Sánchez.

Madrid, onde o PSOE é débil e foi ultrapassado pelo Podemos, foi a mais activa defensora da linha do “não”. As federações “sanchistas” eram as mais pequenas: País Basco, Cantábria, Navarra, Rioja, Ceuta e Melilla. Outro aspecto que pesa é a aliança ou a hostilidade em relação a Susana Díaz, presidente da Andaluzia e manifesta candidata à liderança do partido.

A preocupação do comissão gestora, de Javier Fernández, mais do que o PSC, é evitar que outros parlamentares façam o mesmo e se verifique uma divisão significativa — e traumática — do voto socialista. Outros onze deputados anunciaram que votariam “não”.