Bloco no Governo? Só sem tratado orçamental, diz Catarina Martins

Líder do Bloco diz que não apoia corte das pensões mínimas e considera essa discussão “um erro político gravíssimo”.

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Nelson Garrido

“O Bloco de Esquerda não pode fazer parte de um Governo que cumpre o Tratado Orçamental”. É desta forma que Catarina Martins, em entrevista ao Jornal de Negócios, define as condições para uma eventual participação do partido num Governo.

A coordenadora do Bloco de Esquerda diz mesmo que no actual contexto não é possível ter um orçamento de esquerda. “O contexto europeu é de direita. Foram criados instrumentos institucionais para impor uma política de direita a todos os países, independentemente do que as suas democracias decidissem”, afirma Catarina Martins, acusando tanto o “Partido Popular Europeu, do qual fazem parte o PSD e CDS, como o Partido Socialista Europeu, de que faz parte o PS.”

Na entrevista ao Negócios, Catarina Martins divide-se entre elogios e críticas à proposta de Orçamento para o próximo ano. Por um lado, diz que o OE 2017 permite “parar o empobrecimento”, afirma que ele mostra que “não é necessário cortar nos rendimentos do trabalho para fazer consolidação orçamental”.

Por outro lado, a coordenadora bloquista fala de uma “brutal consolidação orçamental”, defende que seria “importante [ter] um orçamento que investisse” e manifesta-se “preocupada” com os cortes na despesa: “Faltam meios às escolas, aos hospitais e noutras áreas”.

Contas feitas, o Bloco garante que aprovará o OE? “Nada está garantido nunca. A política não é um exercício de fé. É negociação”, respondeu Catarina Martins.

Na entrevista ao Negócios, a deputada deixou ainda bem claro que o Governo não tem o apoio do Bloco para “cortar as pensões mínimas”, reagindo assim à intenção manifestada pelo ministro das Finanças de impor uma condição de recursos nas pensões mínimas. “É um erro político gravíssimo”, disse mesmo Catarina Martins, sobre o facto de o Governo ter lançado essa discussão nesta altura.

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