Sondagem dá a Clinton vitória no primeiro round

Eleitores e observadores dizem que candidata democrata surgiu mais preparada e foi mais eficaz nos ataques a Trump

Inquiridos dizem que Clinton foi a melhor a expor as suas opiniões e revelou um melhor conhecimento dos assuntos
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Inquiridos dizem que Clinton foi a melhor a expor as suas opiniões e revelou um melhor conhecimento dos assuntos Timothy A. Clary/AFP

Foi o primeiro round o mais esperado, mas apenas o primeiro – de um combate televisivo em três etapas, mas no final dos 90 minutos de debate foi Hillary Clinton quem regressou ao seu canto em vantagem. Uma sondagem divulgada pela CNN indica que dois terços dos inquiridos (62%) entendem que a candidata democrata às presidenciais norte-americanas saiu vitoriosa no embate com Donald Trump, confirmando aquela que é também a avaliação da generalidade da imprensa.

Para os 521 eleitores inquiridos pelo estudo de opinião da CNN/ORC logo após o debate, a antiga secretária de Estado norte-americana foi a melhor a expor as suas opiniões e revelou um melhor conhecimento dos assuntos em debate (obtendo uma vantagem de dois para um sobre o candidato republicano), tendo respondido também melhor às preocupações que os eleitores terão sobre as suas capacidades para ocupar a presidência dos Estados Unidos (57% para 35%). Apesar das incessantes suspeitas lançadas por Trump, foi também Clinton quem terminou o debate com a imagem de líder mais forte (56% para 39%).

O debate, que terá sido um dos mais vistos de sempre, com cerca de cem milhões de telespectadores não desiludiu os que esperavam ver os dois candidatos tirar as luvas e dizer na cara um do outro aquilo que há meses diziam indirectamente – a televisão britânica BBC diz que houve “faúlhas a voar” durante a hora e meia de confronto. Mas Hillary terá sido melhor a escolher os golpes. Segundo a sondagem da CNN, 67% dos inquiridos dizem que as suas críticas a Trump foram justas, ao passo que só 51% viram como justificados os ataques que o milionário fez à rival.

“Sinto que na forma como fala com as outras pessoas, como se dirige a elas, Trump pode ser extremamente mal-educado e desrespeitoso. Não acho que ele tenha temperamento para ser Presidente”, reagiu Garrett Thacker, eleitor de 30 anos do Ohio, que integrou um grupo de eleitores e comentadores ouvidos pelo Wall Street Journal após o debate na NBC.

Thacker já votou nos dois partidos e a seis semanas das eleições está, como milhões de outros americanos, ainda indeciso sobre o seu voto. É para esta fatia dos eleitores, sobretudo os que residem nos estados que serão decisivos para a vitória, que as duas campanhas apontam todo o seu arsenal retórico.

Clinton passa no teste contra o Dr. Donald e o Mr. Trump

E se a maioria dos inquiridos pela CNN entende que Hillary Clinton foi melhor no debate desta segunda-feira (mesmo entre os eleitores independentes foi declarada vencedora por 54% contra 33% de Trump), o debate não parece ter tido um efeito imediato sobre os eleitores: 47% afirmam que a discussão não alterou o sentido de voto. Ainda assim, dos que admitiram ter sido influenciados pela discussão, 34% dizem-se mais inclinados a votar em Clinton, ao passo que só 18% admitem estar um pouco mais convencidos com Trump.

Para os comentadores, a antiga secretária de Estado foi mais eficaz, quer nos ataques ao candidato republicano, quer a passar a imagem de que está mais preparada e tem mais condições para ser Presidente. “Ela estava, sem surpresas, muito bem preparada, usando um arsenal de factos e números não só para apresentar o seu caso, mas também para atacar Trump”, escreveu Chris Cillizza no Washington Post. Mais importante do que as provas dos factos é a “capacidade do candidato para aparecer mais seguro e ao comando”, acrescentou o colunista do Los Angeles Times Doyle McManus, defendendo que, “por essa medida Clinton ganhou e não foi sequer por pouco”.

Ari Fleischer, antigo assessor de imprensa do ex-Presidente George W. Bush e apoiante de Trump, concorda que o candidato republicano não soube dosear as críticas à adversária nem foi muito eficaz na forma como geriu o debate. “Os que apoiam Trump continuam com ele, os que estão com Clinton continuam com ela e os indecisivos provavelmente continuam indecisos. Mas diria que Hillary Clinton soube manter-se mais calma e à vontade e Trump perdeu demasiadas vezes a calma.”

Um temperamento que é imagem de marca do candidato e que os seus apoiantes aplaudem, mas que, como escreveu Wall Street Journal, pode não ser muito eficaz junto dos indecisos. Bem Robinson, gestor de projectos de Houston, explicou ao diário que continua pouco inclinado a votar em qualquer dos dois candidatos, mas diz que Trump lhe deixou uma imagem mais negativa. “Ele não parece o típico protótipo da manipulação política – o [candidato] que não responde ao que lhe é perguntado. Ele simplesmente parece não ter quaisquer respostas”.

Findo o primeiro round os olhos dos candidatos estão já postos no próximo debate, a 9 de Outubro, não só porque a nebulosa de sondagens indica que as eleições de Novembro poderão ser mais renhidas do que o perfil dos candidatos sugeria à partida, mas também porque a história recente mostra que 90 minutos, por muito mediáticos que sejam, são demasiado curtos para tirar conclusões: em 2012, num debate para o qual não se preparou tanto como o aconselhavam os seus assessores, o Presidente Barack Obama foi derrotado pelo adversário republicano, Mitt Romney, exactamente pela mesma margem que agora Clinton bateu Trump.

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