E se Guterres não for eleito? Será um retrocesso, diz Adriano Moreira

Histórico do CDS aborda possibilidade de surgir candidato-surpresa, vendo isso como "grande retrocesso no processo de transparência".

Adriano Moreira em 2012
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Adriano Moreira em 2012 Miguel Manso

O docente universitário Adriano Moreira considerou nesta segunda-feira António Guterres o candidato mais bem preparado para assumir a liderança das Nações Unidas, salientando que um novo nome constituirá um retrocesso no processo de transparência da organização.

“Esta eleição que está em curso corresponde a um pedido de transparência por parte da sociedade” civil, afirmou Adriano Moreira, considerando António Guterres o candidato mais bem preparado para assumir o cargo de secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

Depois da “alta competência que tem demonstrado o candidato português”, que hoje ficou à frente na quinta votação secreta entre os membros do Conselho de Segurança da ONU, se Guterres “não for eleito é porque morreu qualquer coisa de importante” no organismo.

A confirmarem-se “rumores” de que poderá ser eleito “alguém que não passou por todas as provas [a que já respondeu António Guterres] será um grande retrocesso no processo de transparência”, afirmou o histórico do CDS-PP.

Em causa está a possibilidade de a vice-presidente da Comissão Europeia, Kristalina Georgieva, poder concorrer a sucessor de Ban Ki-moon, com o apoio da Alemanha e de outros Estados-membros, antes da decisão final da assembleia-geral.

Num debate em Óbidos, Adriano Moreira falou hoje sobre a ONU, a Europa e Portugal, considerando que há razões para os portugueses estarem “inquietos”.

Se internamente “cada país deve estar preocupado com os seus governos”, no que respeita à Europa as preocupações passam, entre outras questões, pelas consequências que poderão trazer as eleições presidenciais nos Estados Unidos da América.

Recordando uma velha frase em que os americanos consideravam que “Deus foi generoso” com o país a colocar o oceano a separá-lo da Europa, e sem referir concretamente a possibilidade de Donald Trump ser eleito, Adriano Moreira disse temer “um desastre se a presidência dos Estados Unidos voltar a pensar que Deus foi generoso”, numa referência à política de isolacionismo do candidato republicano.

Assumindo-se “pessimista”, Adriano Moreira considerou ainda que o mundo vive hoje uma fase de “amargura madura”, em que é “imperioso o desarmamento” e o surgimento de novas “vozes encantatórias” com ideias fortes sobre os problemas do mundo.

Adriano Moreira participava na segunda edição do Folio – Festival Literário Internacional de Óbidos, que este ano celebra os 500 anos da Utopia de Thomas More, o Ano Internacional do Entendimento Global, o centenário do nascimento de Vergílio Ferreira, os 500 anos da morte do pintor Hieronymus Bosch e os 400 da morte dos clássicos William Shakespeare e Miguel de Cervantes.