Com vendas em queda, Apple lança iPhone com duas câmaras traseiras

Empresa mostrou também a segunda geração do Apple Watch.

Tim Cook durante a apresentação dos novos iPhones
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Tim Cook durante a apresentação dos novos iPhones Josh Edelson/AFP

A Apple fez nesta quarta-feira a sua apresentação ritual de novos modelos de iPhone - o iPhone 7 e o topo de gama iPhone 7 Plus - com uma diferença face aos outros anos: a procura pelo telemóvel, que é o principal negócio da empresa, está pela primeira vez em queda.

Os novos iPhone 7 têm uma nova câmara traseira (duas, no caso do Plus) e este foi dos componentes que mais tempo ocupou ao vice-presidente Phill Shiller, um dos executivos que subiram ao palco durante a apresentação em São Francisco. A câmara tem 12 megapixels, estabilização óptica e, o modelo com duas câmaras permite controlar a profundidade de campo - possibilita, por exemplo, fotografar alguém e fazer com que o fundo fique esbatido.

Os novos modelos – que estarão à venda em Portugal a partir de 16 de Setembro – têm também altifalantes estéreo, um novo botão que vibra, são à prova de água e, como já tinha sido antecipado, deixaram de ter entrada para auriculares tradicionais - os auriculares poderão ser ligados à mesma porta que é usada para o carregador. Tal como habitualmente faz quando elimina entradas nos aparelhos, a Apple criou um adaptador para que os auriculares tradicionais sejam usados, mas desta vez decidiu incluir o adaptador com o telemóvel, em vez de o vender à parte. E apresentou ainda auriculares sem fios, uma novidade na linha de equipamentos da marca.

A Apple espera que as novas funcionalidade cativem consumidores numa altura em que as vendas de iPhone, que representa cerca de 58% de todas as receitas da empresa, têm estado em queda. No segundo trimestre deste ano, afundaram 23% em termos de receitas e 15% em unidades vendidas. No trimestre anterior, a procura pelo aparelho já estava a cair, ainda que de forma menos significativa. A quebra de procura reflecte o facto de muitos países já terem uma elevada penetração de smartphones (é que acontece em muitos mercados europeus e nos EUA). Os mercados em crescimento são os das economias em desenvolvimento, onde os consumidores procuram modelos mais baratos, tipicamente equipados com sistema Android.

A Apple apresentou também a segunda geração do seu relógio inteligente, que dá mais um passo para ir ao encontro das necessidades dos praticantes de desporto, um tipo de consumidor que procura estes relógios (ou as mais simples pulseiras desportivas) para controlar várias métricas.

Tal como o iPhone, a segunda série do Apple Watch foi desenhada para ser à prova de água e poder ser usada numa piscina, registando, por exemplo, as calorias gastas por quem está a nadar (o relógio indica uma resistência à água até 50 metros de profundidade, o que o coloca no patamar dos relógios com que é possível nadar, mas que não são apropriados para mergulho).

Uma aplicação no relógio permite também seleccionar caminhadas, o que inclui direcções, mapas, fotografias das paisagens que o utilizador poderá ver (algo que poderá não ser do agrado dos que preferem ser surpreendidos), a distância a percorrer e um aviso quando o utilizador se afasta do percurso, uma funcionalidade que recorre a tecnologia GPS.

A primeira versão do relógio continuará à venda, com uma actualização do processador.

O presidente executivo, Tim Cook, fez questão de afirmar que a Apple se tornou na segunda marca de relógios com mais receitas de vendas, atrás dos relógios Rolex, apesar de ter estado à venda apenas oito meses em 2015, depois do lançamento em Abril.

Fazendo as contas apenas ao mercado dos relógios inteligentes, a Apple tem uma liderança destacada. Mas foi, no trimestre passado, a única cujas vendas caíram, com os consumidores a adiarem as compras por estarem à espera do novo modelo.

Artigo corrigido: a Apple especificou o nível de resistência à água dos aparelhos.