Número de crianças refugiadas duplicou em dez anos

Há mais de oito milhões de menores refugiados em todo o mundo, para além de 17 milhões de deslocados internos.

Criança a brincar num campo na ilha grega de Lesbos
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Criança a brincar num campo na ilha grega de Lesbos Louisa Gouliamaki / AFP

O mundo piorou para os mais frágeis. Numa década duplicou o número de crianças refugiadas em todo o mundo, de acordo com um relatório divulgado esta quarta-feira pela UNICEF. A violência e a pobreza atingem 28 milhões de crianças, obrigadas a abandonar as suas casas.

Entre 2005 e 2015, o número de crianças refugiadas ao abrigo do Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiadas (ACNUR) passou de quatro para mais de oito milhões. A situação agravou-se sobretudo nos últimos cinco anos, com um crescimento do número de crianças refugiadas de 77% — período que coincide com a guerra civil na Síria.

O relatório da UNICEF, Desenraizadas: A crescente crise de crianças refugiadas e migrantes, mostra que 45% da população de crianças refugiadas vem de apenas dois países: Afeganistão e Síria.

Existem ainda 17 milhões de crianças que foram obrigadas a abandonar as suas casas, mas permanecem no mesmo país e um milhão de requerentes de asilo, cujo estatuto ainda não foi determinado.

As crianças representam cerca de metade do contingente global de refugiados, apesar de constituírem apenas um terço da população mundial. A situação de vulnerabilidade aumenta entre as crianças que viajam sem acompanhamento de adultos. A UNICEF estima que em 2015 mais de cem mil tenham feito pedidos de asilo em 78 países diferentes.

“O mundo ouve histórias de crianças refugiadas, uma de cada vez, e o mundo consegue dar apoio a essa criança, mas quando falamos de milhões isso causa um horror incrível e acentua a necessidade em lidar com este crescente problema”, afirmou a autora do relatório, Emily Garin.

E estes números são apenas parte dos riscos que correm as crianças em situações de vulnerabilidade. Cerca de 20 milhões de crianças migrantes abandonaram as suas casas por razões não relacionadas directamente com conflitos, como a pobreza extrema ou violência decorrente do crime organizado.

“O que é importante é que estas crianças em fuga são crianças — e devem ser tratadas como tal”, disse o director de programas da UNICEF, Ted Chaiban. “Elas devem ser protegidas, precisam de acesso a serviços, como a educação.”