D’Bandada com Bonga, Club Kitten, cinema e concertos num 7.º andar

A 6ª edição do festival acontece no dia 17 deste mês, em vários espaços da Baixa do Porto e com algumas novidades, como a aposta nas músicas africanas.

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Bonga Daniel Rocha

Primeiro, as novidades: mostra de cinema documental a servir de prefácio à festa, noite de música africana no Coliseu do Porto com Bonga, Kimi Djabaté e Selma Uamusse, o mítico Club Kitten ressuscitado, e concertos de Miguel Araújo e convidados no sétimo piso do Silo Auto – foi lá que teve lugar, na manhã desta quinta-feira, a conferência de imprensa de apresentação da 6ª edição do NOS em D’Bandada, que no dia 17 de Setembro volta a levar música portuguesa às ruas e a vários espaços do Porto, com entrada gratuita.

Orelha Negra, Filho da Mãe, Sallim, The Sunflowers, Surma, Cave Story, You Can’t Win, Charlie Brown, Landim, Galgo, Salto e Quelle Dead Gazelle são alguns dos outros músicos presentes nesta edição, que tem nomes menos sonantes do que em anos anteriores, mas apresenta um cartaz um pouco mais diversificado, com tónica em alguma da nova música portuguesa – e aí é importante referir o papel das curadorias, de promotores e estruturas como a Lovers & Lollypops, Príncipe Discos ou Maus Hábitos.

Os concertos espalham-se por ruas, praças, jardins, bares e outros locais da Baixa da cidade (este ano sem o famigerado eléctrico), como o Ateneu Comercial do Porto. “Sempre quisemos tirar partido do património”, diz Rita Torres Baptista, directora de marca e comunicação da NOS. É um festival-passeio (chamam-lhe o "São João da música") que tem vindo a contabilizar cada vez mais público, com números nas últimas edições que chegaram às 200 mil pessoas. As enchentes, por vezes insuportáveis, e as longas filas para tentar entrar nos concertos já se tornaram, para o bem e para o mal, uma imagem de marca. “É com coisas como o D’Bandada que a cidade se transcende”, considera Rui Moreira, presidente da Câmara do Porto, parceira do evento. “Toda ela se transforma num palco onde todos querem participar, e é essa a função da cultura numa cidade.”

Este ano, o D’Bandada arranca mais cedo. O primeiro acto acontece entre os dias 13 e 16 com sessões de cinema documental no Passos Manuel, programadas pelo festival e associação cultural Porto/Post/Doc. A música é a protagonista: Janis: Little Girl Blue (2015), documentário sobre Janis Joplin realizado por Amy J. Berg e narrado por Cat Power, e Punk Is Not Daddy (2010), périplo de Edgar Pêra pelos bastidores da música portuguesa dos anos 80, dos Heróis do Mar aos GNR, são dois dos quatro filmes em exibição. No dia 17, o programa das festas tem ponto de partida às 14h no sétimo andar do Silo Auto, um dos novos espaços desta edição. Miguel Araújo, que toca no festival desde o primeiro ano, interpreta canções que compôs para outros colegas, como Ana Moura e António Zambujo, e convida dois músicos para se juntarem a ele.

Numa panorâmica pelo cartaz, sigamos o garage-rock incendiário dos 800 Gondomar e dos The Sunflowers. Em representação da editora Cafetra vem Sallim, com a sua pop lo-fi aeriforme e algodão-doce, e Lourenço Crespo, que lançou um dos discos mais entusiasmantes deste ano, Nove Canções, com melodias que se colam ao ouvido. Para ouvir guitarras acústicas entre a luz e a sombra, temos Filho da Mãe e Grutera. Para a habitual dose de hip-hop, ponto de encontro na Praça dos Poveiros, com destaque para os Orelha Negra e, sobretudo, para o rapper Landim. Na Praça dos Leões, há tonalidades jamaicanas com dois soundsystems num frente-a-frente (Simply Rockers e Roots Dimension).

Um dos repetentes (e ainda bem) é a Príncipe Discos, editora incontornável que tem proposto, a partir dos bairros da periferia de Lisboa, novos sentidos para música de raiz africana como o tarraxo e o kuduro, numa parceria com a música de dança ocidental. Olhar para as músicas africanas é, aliás, um dos objectivos desta edição. Os cabo-verdianos Cachupa Psicadélica actuam no Maus Hábitos e a festa no Coliseu conta com Bonga, ícone inter-geracional da cultura angolana e mestre do semba, o guineense Kimi Djabaté, que lançou em Junho um novo disco, Kanamalu, e Selma Uamusse, voz imponente que joga com as tradições da música moçambicana.

No encerramento do festival, num local a anunciar, ressuscita-se o Club Kitten, noite mítica de João Vieira (DJ Kitten/ X-Wife/ White Haus), que no início dos anos zero originava autênticas peregrinações ao Triplex (Porto) e ao Lux (Lisboa), com pistas assanhadas ao som de electro, punk e new wave (e que faria hoje 15 anos). O D’Bandada conta ainda com o actor Nuno Lopes, DJ em part-time que estará encarregue de pôr a dançar a Rua Cândido dos Reis, e uma programação especial para o público infanto-juvenil no Jardim da Cordoaria.