Dezenas de mortos em atentado do Estado Islâmico no Iémen

Carro armadilhado explodiu num centro de recrutamento no Sul do país. Ataque foi reivindicado pelo Estado Islâmico.

Membros da Resistência Popular, que apoiam as forças leais ao governo exilado
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Membros da Resistência Popular, que apoiam as forças leais ao Governo exilado Ahmad al-Basha / AFP

Pelo menos 71 pessoas morreram e 98 ficaram feridas num atentado suicida ontem em Áden, no Sul do Iémen, de acordo com fontes médicas citadas pela AFP. O ataque ocorreu num centro de treino militar para jovens recrutas do exército iemenita.

Foi um dos mais sangrentos ataques desde o início da guerra do Iémen, em 2015, e foi reivindicado pelo Estado Islâmico (EI) através da sua agência de propaganda, Amaq.

Só o hospital dos Médicos Sem Fronteiras recebeu 45 mortos e 60 feridos, diz a AFP.

O atacante detonou o carro armadilhado junto a um grupo de recrutas que estava reunido em frente à escola Sanafir, no norte da cidade, disse um responsável pela segurança à AFP.

Áden, que foi reconquistada aos rebeldes huthis xiitas em Julho de 2015 e declarada “capital provisória” do Iémen, foi palco de vários atentados contra as forças da ordem e responsáveis políticos, alguns deles reivindicados pelo Estado Islâmico e outros pela Al-Qaeda, aproveitado a instabilidade da guerra civil, que já matou mais de 6600 pessoas desde Março de 2015, na sua maioria civis, de acordo com dados das Nações Unidas.

Várias tentativas de mediação da guerra civil têm falhado. A última ronda de negociações de paz, no Kuwait, falhou no início de Agosto. Uma nova iniciativa para alcançar um cessar-fogo foi anunciada na semana passada pelos EUA e inclui a retirada dos rebeldes da capital Sanaa e a formação de um governo de unidade nacional.

O conflito põe as forças leais ao Governo do Presidente, Abd-Rabbou Mansour Hadi, aos rebeldes xiitas huthis. Uma coligação internacional liderada pela Arábia Saudita tem bombardeado o país desde Março de 2015 em apoio das forças governamentais.

Um mês antes, a capital Sanaa tinha sido tomada pelos huthis, apoiados por forças leais ao ex-Presidente Abdullah Saleh, obrigando ao exílio do governo reconhecido internacionalmente. A partir desse momento, aquele que era um conflito estritamente doméstico ganhou uma dimensão internacional, opondo de forma não declarada os dois rivais pela hegemonia regional: a Arábia Saudita e o Irão.

Riad acusa o Irão de apoiar militarmente os huthis, apesar de Teerão o ter sempre negado. A coligação de oito países do Golfo Pérsico expandiu a sua intervenção, passando a incluir incursões no terreno

Em Maio, o Estado Islâmico já tinha morto matou 80 recrutas em atentados em várias zonas do país e a 6 de Julho o grupo reivindicou um atentado que matou quatro polícias. A 20 desse mês, as forças governamentais, apoiadas pela coligação militar árabe, expulsaram os jihadistas de uma base militar na cidade que tinham tomado após um duplo atentado reivindicado pela Al-Qaeda na Península Arábica — morreram dez soldados.

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