Editorial

Está quase a chegar a boa notícia de 2016?

O mundo já tem problemas suficientes. Não precisa de mais um louco irresponsável no poder.

Esta semana poderá estar a desenhar-se aquela que será a melhor notícia de 2016, que só seria suplantada se acabasse a guerra na Síria e a crise humanitária dos milhões de refugiados desse conflito começasse, enfim, a ter luz ao fundo do túnel.

A notícia é a que todos os cidadãos democratas e civilizados do planeta — e que são a maioria — querem que se confirme: a derrota de Donald Trump.

Tudo indica que o esforço em tornar Trump num candidato “presidenciável” não resultou. O director da campanha chamado para conter a revolta anti-Trump dentro do Partido Republicano acaba de se demitir como reacção à contratação de Steve Bannon, conhecido como o “Leni Riefenstahl do movimento Tea Party”.

Segundo alguns analistas norte-americanos, o facto de Trump ter contratado agora, a três meses das eleições, um homem famoso por ser radicalmente anti-sistema significa que o magnata do imobiliário já assumiu internamente que vai perder. Por isso, a tese que ganha força nos EUA é a de que Trump não quer deixar de ser Trump porque sabe que não vai nunca conseguir atrair um novo tipo de eleitores: os conservadores do centro, os moderados republicanos, os gays, os muçulmanos, os hispânicos e todos aqueles que ele conseguiu ofender e ridicularizar ao longo do último ano, em comício atrás de comício.

Se Donald Trump ganhar, a Terra continuará a girar, mas o mundo não será igual. Será pior. Se Trump ganhasse e pusesse em prática nem que fosse uma pequena parte daquilo que defende e acredita, megulhávamos no caos.

Sobre o líder da Coreia do Norte, disse que pediria à China para “se ver livre dele e fazer com que desaparecesse de uma forma qualquer e muito depressa”. Fazer desaparecer é assassinar? A sua resposta: “Para ser franco, já ouvi coisas piores.” Sobre os diplomatas americanos, diz que “temos de parar de lhes dar ouvidos”, pois insistem nas “nuances” e não “na acção”. Quer renegociar todos os acordos que os Estados Unidos da América têm, tanto militares como comerciais, e pedir compensações e novas rendas. Sobre o Presidente russo, disse que “se Obama se desse bem com Putin, isso seria fabuloso, mas eles não gostam um do outro. Putin não respeita o nosso Presidente. Zero. E tenho a certeza de que o nosso Presidente não gosta muito dele”. O que faria Donald Trump? “Dava-me bem com Putin.” Sobre a China, disse: “Sou criticado por ter dito que a China é nosso inimigo. Mas que outra coisa haveria eu de chamar ao país que está a destruir o futuro dos nossos filhos e dos nossos netos? Que nos roubam os empregos, que nos espiam para nos roubarem a nossa tecnologia, que estão a dar cabo da nossa moeda e do nosso estilo de vida?”

É difícil decidir se é mais perigoso a boçalidade se o infantilismo.

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