Ban Ki-moon diz que chefia da ONU deve ser entregue a uma mulher

O coreano termina o segundo mandato de secretário-geral da organização no final deste ano.

Ban Ki-moon esteve em Lisboa em Maio e, à porta fechada, desejou boa sorte a Guterres
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Ban Ki-moon esteve em Lisboa em Maio e, à porta fechada, desejou boa sorte a Guterres Daniel Rocha

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, defendeu que a próxima pessoa a ocupar o lugar deve ser uma mulher. "Já é altura", disse o coreano, que deixa o lugar no final deste ano. O processo de selecção de um novo secretário-geral está em curso, tendo o português António Guterres sido o candidato que recebeu mais votos favoráveis entre os membros do Conselho de Segurança nas duas votações já realizadas, cujo resultado não é vinculativo.

Até ao momento, há 11 candidatos ao cargo, seis homens e cinco mulheres. "Há muitas mulheres que são líderes respeitadas de governos, de organizações, de empresas e de outras áreas da nossa vida. Não há razão para que não [seja uma a dirigir] as Nações Unidas”, disse. "Há muitas mulheres que se destacam como líderes, que estão motivadas, que podem relacionar-se com os outros líderes do mundo. Esta é a minha humilde opinião, mas [a decisão] é dos membros [do Conselho de Segurança]", disse.

Os candidatos, que este ano pela primeira vez foram submetidos a entrevistas na sede da organização em Nova Iorque, são avaliados pelos 15 membros do Conselho de Segurança – tendo os membros permanentes, Estados Unidos, Reino Unido, Rússia, França e China, direito de veto sobre essas votações –, sendo a escolha deste órgão depois levada a votação na Assembleia Geral. A próxima votação está marcada para 29 de Agosto. Entre Setembro e Outubro o novo secretário-geral estará escolhido, sucedendo a Ban Ki-moon em Janeiro de 2017.

Na primeira votação, o ex-primeiro-ministro português (e ex-alto-comissário para os Refugiados) foi seguido pelo ex-presidente da Eslovénia Danilo Turk, que desceu para o quarto lugar na segunda votação. Vuk Jeremic, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros da Sérvia, alcançou o segundo lugar na segunda votação com oito votos favoráveis. A mulher mais bem qualificada (terceiro lugar na segunda votação) foi a ministra dos Negócios Estrangeiros argentina, Susana Malcorra.

À porta fechada, Ban Ki-moon elogiou Guterres e desejou-lhe boa sorte