Sonae entra no capital da Outsystems e da Feedzai

Reforço na área tecnológica deu-se através da compra de unidades de participação em fundos vendidos pelo Novo Banco.

Outsystems teve recentemente um novo investidor, a North Bridge
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Outsystems teve recentemente um novo investidor, a North Bridge Ricardo Campos

O Grupo Sonae, através da Sonaecom (dona do PÚBLICO) entrou no capital de várias empresas tecnológicas, onde se destacam a Outsystems e a Feedzai. Segundo um comunicado do grupo, a Sonae Investment Management (subsidiária da Sonaecom, com empresas como a WeDo, Saphety, S21sec e Bright PixelWeDo Technologies, Saphety, Bizdirect, S21sec, Movvo and Bright Pixel.) fechou um acordo com o Novo Banco para a compra de unidades de participação em três fundos de capital de risco: o fundo de capital de risco Espírito Santo Ventures Inovação e Internacionalização; o FCR – Espírito Santo Ventures II e o fundo de  capital de risco Espírito Santo Ventures III. No comunicado, a Sonae afirma apenas que é “o principal investidor”, não identificando quem são os outros parceiros envolvidos no negócio, nem os valores da transacção.

“Com esta transacção a Sonae IM reforçará o seu portfólio, nomeadamente através de participações relevantes em empresas de base tecnológica, como a Outsystems e a Feedzai”, as quais, destaca o grupo, “apresentam níveis significativos e consistentes de crescimento”.

Liderara por Paulo Rosado, a Outsystems, criada em 2001, é uma multinacional portuguesa que desenvolve tecnologia para uso empresarial e que, no início do ano, recebeu um investimento de 55 milhões de dólares (cerca de 50 milhões de euros) da empresa de capital de risco americana North Bridge. Esta juntou-se assim aos outros dois accionistas, a Espírito Santo Ventures e a Portugal Ventures (empresa de capital de risco que inclui dinheiro público).  

Também a Feedzai, liderada por Nuno Sebastião que desenvolve tecnologia para protecção de dados e combate à fraude em pagamentos e transacções financeiras, tem recebido novos investidores, como o fundo norte-americano Oak HC/FT. A empresa nasceu há cinco anos, na Universidade de Coimbra, e tem vindo a expandir-se desde então (tem operações nos EUA e escritórios em Nova Iorque e Silicon Valley).

Por parte do Novo Banco, a instituição financeira refere ainda que vendeu a totalidade da Espírito Santo Ventures, presidida por Joaquim Sérvulo Rodrigues, e que esta “passará a ser controlada pela equipa de gestão”.

Com a venda de mais activos, o Novo Banco (cujo processo de alienação por parte do Fundo de Resolução está a decorrer), diz que estas operações, que se integram no processo de desinvestimento em “activos não estratégicos”, terão um “impacto marginalmente negativo” no rácio de capital da instituição financeira. O negócio está ainda dependente das devidas autorizações, como a do Banco de Portugal.