Maioria dos alunos do 8.º ano derrapou na gramática e na aritmética

Resultados nacionais das provas de aferição foram divulgados nesta segunda-feira.

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Alunos mais novos saíram-se melhor nas provas de aferição DANIEL ROCHA

Apenas 16,9% dos alunos do 8.º ano de escolaridade conseguiram responder de acordo com o esperado nas perguntas relativas a gramática que constavam da prova de aferição de Português, realizada em Junho passado. E só 22,8% o fizeram na parte relativa à leitura. Estas percentagens sobem para 63,6% e 59,7% entre os alunos do 2.º ano de escolaridade, segundo os resultados nacionais das provas de aferição divulgados nesta segunda-feira.

Ao contrário dos exames, que deixaram de existir no 4.º e 6.º ano de escolaridade, as provas de aferição não contam para a nota final dos alunos. Este ano foram feitas em 56% das escolas. No próximo ano lectivo a sua realização será obrigatória para todos os alunos do 2.º, 5.º e 8.º ano de escolaridade.

O que os resultados nacionais mostram, para já, é que à medida que os alunos progridem de ano, existe uma tendência para se agravarem as suas dificuldades tanto a Português como a Matemática. No caso da primeira disciplina, a percentagem dos que conseguiram responder sem dificuldades às componentes de gramática e leitura no 5.º ano desceu para 30,9% e 50,5%, respectivamente. 

Em declarações ao PÚBLICO, a presidente da Associação de Professores de Português, Edviges Ferreira, considera que os resultados a leitura no 8.º ano de escolaridade, que classifica como “muito fracos”, devem levar a “uma reformulação dos programas e das metas curriculares em vigor”.  “Os professores estão muito espartilhados e têm um leque muito reduzido de textos a propor que provavelmente não se adapta a várias regiões do país, já que Portugal não é só Lisboa”, comenta, acrescentando também que os programas em vigor “não se adequam aos alunos do século XXI”.

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Edviges Ferreira considera, contudo, que não se devem comparar os resultados dos alunos mais novos com os dos mais velhos, porque “no 2.º ano ainda está tudo muito no início” e os conteúdos propostos não são equiparáveis.   

Na disciplina de Matemática, 55,4% dos alunos do segundo ano - um nível de ensino frequentado maioritariamente por crianças de sete anos  - conseguiram responder às questões relativas a números e operações aritméticas. Mas aos 13 anos esta percentagem já não vai além dos 15,6% e aos dez, no 5.º ano, fica-se pelos 12,1%. O panorama ainda é pior quando se trata de geometria. No 2.º ano de escolaridade, 54,6% conseguiram responder sem dificuldades aos itens deste conteúdo, mas no 8.º ano apenas 8,7% conseguiram o mesmo.

Para Lurdes Figueiral, presidente da Associação de Professores de Matemática, esta oscilação de resultados vem confirmar o que já têm constatado no terreno. "Os desempenhos vão priorando progressivamente porque os alunos vão desistindo", constata. Esta professora ressalva que não existe uma única razão para tal, embora lembre  as críticas da APM ao programa do ensino básico, que entrou em vigor em 2013.

"É um programa completamente inadequado, como mostram os resultados obtidos em várias das áreas avaliadas nas provas de aferição, e que tem contribuído para que os alunos se estejam a afastar cada vez mais da disciplina", diz. O que estes resultados mostram também, acrescenta, é que se impõe "uma intervenção muito focada no ensino básico, onde nos últimos anos foi feito um mau investimento, e que passa por ter respostas sobre o que se quer para os alunos neste nível de escolaridade".

Nas provas de aferição de Matemática o domínio em que os alunos do 2.º ano se saíram melhor foi o da Organização e Tratamento de Dados (gráficos), com 83,5% a responderem sem dificuldades. Nos outros anos este foi também o conteúdo com melhores resultados, embora com percentagens bem diferentes: 21,4% no 5.º ano e 43,5% no 8.º ano.

A Português, os alunos do 2.º ano saíram-se melhor a gramática, com 63,6% a responder conforme o que era esperado. Já os do 5.º (80,5%) e do 8.º (78,1%) destacaram-se na escrita (80,5%)  

Os relatórios individuais das provas de aferição — um por cada aluno que este ano se submeteu a este tipo de prova  — chegaram às escolas no dia 18 de Julho. Cada uma decidirá como vai dar a conhecer este documento aos encarregados de educação. Mas os alunos não terão classificações oriundas destas provas, “apenas” uma descrição do seu desempenho por domínio de aprendizagem. 

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