Verizon compra Yahoo e espera dar nova vida ao veterano portal

A operadora americana gasta 4,4 mil milhões de euros para continuar a aposta nos conteúdos online. O portal estava há muito tempo à procura de um comprador.

O futuro do Yahoo está longe de ser claro
Foto
Yahoo e AOL vão ser as armas da Verizon para os conteúdos no telemóvel Karen BLEIER/AFP

É uma nova era para um dos pioneiros da Web. A operadora de telecomunicações Verizon comprou as principais operações do Yahoo, um portal que marcou a década de 1990 e que anda há anos à procura de um rumo para inverter a queda.

O negócio, que já era antecipado há muito, foi fechado por 4,8 mil milhões de dólares (4,4 mil milhões de euros) e porá nas mãos da Verizon os produtos centrais do Yahoo, entre os quais o portal, os vários sites de conteúdo, o email e o motor de pesquisa. O pagamento será feito inteiramente em dinheiro.

Esta mudança de mãos das principais actividades significa que o Yahoo passará a ser essencialmente uma empresa detentora de capitais noutras duas empresas: tem uma participação de 16% na chinesa Alibaba, um gigante de vendas online, e é dono de quase 36% do Yahoo Japão, que funciona como uma empresa autónoma.

Com esta compra, a Verizon prossegue a estratégia de ter várias marcas de conteúdos. O negócio acontece depois de a operadora ter comprado a AOL, outra das grandes empresas dos primeiros tempos da Web e dona de sites populares como o Techcrunch e o Huffington Post. “Há pouco mais de um ano comprámos a AOL para aumentar a nossa estratégia de ligar nos vários ecrãs os consumidores, criadores e anunciantes. A aquisição do Yahoo vai colocar a Verizon numa posição altamente competitiva”, afirmou o presidente da Verizon, Lowell McAdam, num comunicado. Por seu lado, o presidente executivo da AOL, Tim Armstrong, destacou que “o Yahoo é há muito um investidor em conteúdo de qualidade e criou algumas das marcas mais apreciadas pelos consumidores em categorias como desporto, notícias e finanças”.Ainda não é certo o que vai acontecer a serviços como o motor de busca, que tem uma quota de mercado reduzida e usa tecnologia da Microsoft.

A Verizon foi um dos nomes que apareceram mais vezes nas notícias que foram surgindo ao longo dos vários meses em que o Yahoo esteve à procura de comprador. O anúncio desta segunda-feira veio pôr fim a um longo período de incerteza. Mas, na sequência da notícia, tanto as acções do Yahoo como as da Verizon sofreram quedas ligeiras após a abertura da sessão em Nova Iorque.

O Yahoo nasceu em 1994 e tornou-se um gigante na primeira fase da Web, com um sucesso assente na venda de publicidade. Teve dificuldades em adaptar-se aos desenvolvimentos tecnológicos e acabou por ser ultrapassado por empresas como o Google e, mais tarde, o Facebook. É muito pouco usado na Europa, onde os produtos do Google dominam o mercado, mas ainda tem expressão em alguns países e é uma marca muito conhecida nos EUA. Segundo números da própria empresa, o Yahoo tem 600 milhões de utilizadores mensais que acedem através de telemóveis e tablets. Por comparação, o Facebook tem 986 milhões de utilizadores móveis diários.

O veterano portal está há anos numa crise de identidade, oscilando entre ser uma empresa de tecnologia ou de conteúdo. Em 2008, a administração foi bem-sucedida a recusar uma oferta de compra hostil por parte da Microsoft, que oferecia cerca de dez vezes mais do que o valor pago pela Verizon (o negócio contemplava então troca de acções).

Há quatro anos, numa tentativa de inverter o rumo, o Yahoo contratou ao Google a actual presidente executiva, Marissa Mayer, que foi na altura amplamente retratada na imprensa como uma jovem gestora brilhante, que poderia dar à volta à empresa. Porém, Mayer acabou por ficar conhecida por uma série de más apostas. Uma das suas primeiras contratações foi o português Henrique de Castro, um ex-colega do Google, para o importante cargo de director de operações (chief operating officer). O executivo acabaria por ser despedido menos de ano e meio depois, com uma indemnização multimilionária.

Mayer também foi a responsável pela compra do Tumblr, uma plataforma de blogues que acabou por não atingir os resultados antecipados. O Yahoo já reconheceu que boa parte dos mais de mil milhões de dólares gastos com o Tumblr se traduziram em activos sem valor. Nos anos recentes, a empresa também fez despedimentos e encerrou vários sites e revistas online.

No final desta longa saga, Mayer diz ver poesia no negócio agora anunciado. "O Yahoo e a AOL popularizaram a Internet, o email, a pesquisa e o conteúdo em tempo real", recordou a executiva, cujo papel após a venda não foi clarificado. "É poético estar a juntar forças com a AOL e a Verizon quando entramos no nosso próximo capítulo concentrados em conseguir escala no [sector] móvel."