Vitória de Evaristo Carvalho nas presidenciais de São Tomé anulada

Resultados foram corrigidos e Comissão Eleitoral diz que votação tem que ser repetidas, com os mesmos cadidatos. Carvalho e Manuel Pinto da Costa voltam a enfrentar-se.

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AFP

As eleições presidenciais de domingo passado em São Tomé e Príncipe, que deram a vitória, à primeira volta, a Evaristo Carvalho, foram anuladas, anunciou a Comissão Eleitoral Nacional (CEN). 

A decisão abre caminho para uma repetição com os mesmos candidatos: Evaristo Carvalho, apoiado pelo primeiro-ministro Patrice Trovoada, e o Presidente cessante, Manuel Pinto da Costa, indicou a CEN e o Tribunal Constitucional de São Tomé e Príncipe.

É a primeira vez que esta situação acontece em 25 anos de democracia em São Tomé e Príncipe, um país com apenas 200 mil habitantes. A CEN desmentiu os resultados que anunciou na noite de domingo para segunda, depois das eleições, e que davam a vitória a Evaristo Carvalho com 50,1% dos votos.

Nesses resultados, Evaristo Carvalho conseguira 34,629 votos, derrotando o Presidente actualmente em funções, Manuel Pinto da Costa, que obteve 17,121 votos – o que corresponde a 24,8%. Em terceiro lugar ficou Maria das Neves, que obteve 16,638 votos – 24,1%.

Segundo a AFP, a Comissão Eleitoral anunciou uma “alteração destes resultados provisórios” devido à chagada das actas do voto da diáspora (Portugal, Angola, Gabão e Guiné Equatorial) e de uma votação que foi adiada até quarta-feira, na localidade de Maria Luísa.

“Nenhum candidato conseguiu obter mais de metade dos votos válidos”, explicou a CEN, que se apoia no Tribunal Constitucional para os resultados definitivos. O Tribunal Constitucional convocou a segunda volta entre Carvalho e Pinto da Costa, mas sem precisar uma data.

“Que vergonha”, foi esta a mensagem deixada por várias pessoas no site do jornal Telanon.info, a principal fonte de informação em São Tomé e Príncipe. Pediram também a demissão do presidente da CEN, diz a AFP.

A vitória de Evaristo Carvalho foi contestada por Manuel Pinto da Costa (que se apresentou como independente) e Maria das Neves, apoiada pelo Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP), que apresentaram um recurso conjunto ao Tribunal Constitucional.

Patrice Trovoada, vencedor das eleições legislativas em 2014, celebrou com Evaristo de Carvalho a sua vitória, na passada segunda-feira, perante milhares de pessoas. Os seus adversários denunciaram a concentração de poder nas mãos do seu partido, a Acção Democrática Independente (ADI, de centro-direita).

Com um mandato de cinco anos, o Presidente arbitra mas não governa, estando o poder real a cargo do governo de São Tomé e Príncipe. O desenvolvimento continua a ser o grande desafio do arquipélago, que é 90% dependente de ajuda internacional.