PS apoia Rui Moreira ao Porto e quer Luísa Salgueiro para Matosinhos

Distrital socialista aprovou um documento de orientação relativamente às autárquicas do próximo ano.

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Manuel Pizarro e Rui Moreira fizeram acordo de governação do município do Porto em 2013 Rui Farinha

Está decidido. O PS vai declarar o apoio à recandidatura de Rui Moreira à Câmara do Porto em 2017. Os socialistas estiveram reunidos nesta segunda-feira à noite e o líder federativo, Manuel Pizarro, garantiu ao PÚBLICO que “está aberto o caminho para o PS vir a declarar o seu apoio à [re]candidatura de Rui Moreira”.

“A avaliação que o PS faz da forma como decorre a governação autárquica é muito positiva. Rui Moreira tem respeitado o acordo que fez com o Partido Socialista e no que respeita ao conteúdo da governação tem decorrido de acordo com aquilo que era o programa eleitoral do PS”, disse o presidente da federação distrital, sublinhando que, embora a decisão não tenha ainda sido tomada, “não há nenhuma razão para que o partido não o apoie”.

Resolvido o Porto, sobra Matosinhos. Os socialistas querem voltar a reconquistar o município, mas a escolha do candidato pode ainda fazer correr muita tinta, uma vez que a disponibilidade manifestada pelo presidente da concelhia, Ernesto Páscoa, não é consensual no partido. Manuel Pizarro vai avisando que “não se podem cometer os mesmos erros que ocorreram em 2013” e sublinha que o “PS tem de aproveitar esta oportunidade para diminuir diferenças brutais que têm assolado o PS nos últimos 10,15 anos”. “É preciso promover o consenso em vez de fomentar a divisão”, declara o dirigente, numa alusão velada a quem tem responsabilidades no concelho.

Pizarro lança um apelo à “reconciliação da família socialista” e, em relação a Matosinhos, diz que a “há uma orientação clara: a candidatura à câmara deve ser encontrada entre o grupo de Guilherme Pinto [que não se pode recandidatar para o ano] e o PS, porque o grupo de Guilherme Pinto representa uma parte grande do espaço político socialista em Matosinhos”.

O presidente da concelhia de Matosinhos considera-se um “candidato consensual”, mas no PS, há quem defenda que a deputada Luísa Salgueiro é que deveria avançar para a câmara. “Seria absolutamente trágico que o PS repetisse em 2017 o percurso que o conduziu a uma derrota muito pesada em 2013”, observa Manuel Pizarro, que opta por não falar de nomes.

A posição assumida pela distrital na segunda-feira, que, de resto, aprovou um documento de orientação para a escolha dos candidatos ao conjunto das câmaras municipais do distrito no próximo ano, antecipa-se à reunião que o líder concelhio de Matosinhos convocou para esta quinta-feira à noite, precisamente para escolher o candidato à câmara.

A questão da candidatura do partido a Matosinhos foi discutida há cerca de três semanas com a secretária-geral adjunta do PS, Ana Catarina Mendes, numa reunião em que esteve também Ernesto Páscoa que se comprometeu, segundo garantiram ao PÚBLICO, a “não iniciar o projecto de escolha de candidatos sem prévia articulação com o líder distrital”.

A deputada Luísa Salgueiro, que também esteve presente na reunião, confirma esta versão e acrescenta uma outra informação: “Na última reunião do secretariado da concelhia, Ernesto Páscoa disse que não convocaria os militantes para se pronunciarem sobre os candidatos à câmara, sem, previamente, se reunir com o secretariado e com os coordenadores de secção do partido”. Luísa Salgueiro adiantou que a “convocatória que foi endereçada aos militantes para a reunião desta quinta-feira viola todos os compromissos assumidos pelo presidente da concelhia, quer em relação à secretária-geral adjunta quer ao líder distrital”.

Em Matosinhos, o que pode acontecer é que a concelhia designe, no âmbito das suas competências, o candidato, e que a distrital e a direcção nacional não ractifiquem a escolha.

 O PÚBLICO tentou falar com Ernesto Páscoa, sem sucesso.